'Forças nacionais' do Exército Livre da Síria podem servir de escudo para terroristas

© AFP 2022 / BULENT KILICTanques do exército da Turquia perto da fronteira síria
Tanques do exército da Turquia perto da fronteira síria - Sputnik Brasil
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Durante visita à Assembleia Geral da ONU em Nova York o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, defendeu a criação de "exército nacional" dos assim chamados rebeldes moderados.

Segundo ele, este novo órgão poderá garantir a segurança na zona de exclusão aérea na Síria, algo em que a Turquia tem insistido há mais de um ano. Porém, todas as propostas foram rejeitadas pela comunidade internacional.

Erdogan destacou que cerca de 65 mil combatentes poderiam estar envolvidos na iniciativa.

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Segundo o analista político Mehmet Ali Guller, que foi entrevistado pela agência Sputnik Turquia, "exército nacional" composto por combatentes do Exército Livre da Síria pode ser considerado um "escudo" para grupos terroristas na Síria.

Ele opina que a "iniciativa de criar o segundo exército nacional significa tentar dividir o país".

"O anúncio contradiz a alegação anterior de Ancara que a operação militar Escudo do Eufrates é destinada a manter integridade territorial da Síria", indica.

"O governo turco está fazendo um jogo duplo na Síria. Por um lado, a ideia de "exército nacional" pode estar ligada à tentativa de Ancara de prevenir criação de corredor curdo. Por outro lado, isso parece uma parte da estratégia turca de derrubar o [presidente sírio Bashar] Assad e tomar sob controle uma parte do território sírio. A operação Escudo do Eufrates combina esses dois objetivos", destaca Guller.

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É de ressaltar que antes da operação, a Turquia tinha normalizado relações com a Rússia e Israel, o que permitiu negociar com os EUA a operação nas cidades de Mossul e Raqqa. Erdogan segue essa estratégia para reforçar suas posições e consolidar o poder.

Ainda segundo Guller, o governo turco "diz querer normalizar relacionamento com Síria, mas ao mesmo tempo continua defendendo a retórica contra Assad".

"Ancara tem reiterado que a solução síria será alcançada somente se Assad sair do poder. Isso prova que a operação turca na Síria tem vários objetivos ao mesmo tempo", conclui o especialista.

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