China reforça presença na América Latina

© AFP 2022 / Yamil LageNavio chinês entra no porto de Havana, Cuba
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Cuba se tornou uma janela para o continente latino-americano.

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Este é o resultado preliminar da visita do primeiro-ministro da China, Li Keqiang, a Cuba. A visita durará até 28 de setembro. Entre mudanças na América Latina e o flerte dos EUA e do Japão com Cuba, a visita tem uma importância geoestratégica, considera o vice-diretor do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da Rússia, Boris Martynov.

Li Keqiang se tornou o primeiro premiê chinês a visitar Cuba. Embora nos últimos anos todos os dirigentes da China tenham realizado visitas ao país, o presidente da China, Xi Jinping, visitou Cuba por duas vezes. A última vez foi em julho de 2014, quando demonstrou uma atenção crescente da China em relação ao seu "velho amigo".

O especialista do Centro das Relações Internacionais do Instituto da Mídia chinês, Yang Mian, disse em entrevista à Sputnik China que a visita do premiê chinês tem uma importância pragmática e pode ser ligada à realização de múltiplos projetos bilaterais.

"Acrescento também que agora se estão realizando reformas e uma reestruturação na economia de Cuba. Por isso, a visita de Li Keqiang a Cuba ajudará também ao progresso das reformas econômicas em Cuba, à consolidação de contatos e à cooperação entre os dois países na área da economia", disse Mian.

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Além disso, o analista destacou que Cuba foi o primeiro país da América Latina que estabeleceu relações diplomáticas com a China. Pequim e Havana têm mantido contatos ininterruptos e estabeleceram uma profunda amizade.

Ao mesmo tempo, Li Keqiang visita o país depois das visitas do presidente norte-americano Barack Obama em março e do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe. Na opinião de Martynov, Li Keqiang quer obter informações sobre isso em primeira mão.

"<…> Está decorrendo uma luta pela influência, está sendo realizada uma corrida – quem será o primeiro a explorar o mercado cubano, a desenvolver os laços com este país. É do que trata a visita de Li Keqiang e também a assinatura de acordos. A América Latina é um pedaço apetecível e um espaço de medição de forças entre os EUA e a China", disse Martynov.

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Ele acrescentou que os EUA tentam fazer tudo para não perder sua influência na América Latina e estão perdendo-a a favor da China.

A China declarou ainda há dois anos que quer desenvolver relações com Cuba através de industrialização e de cooperação em projetos de infraestrutura e industriais. Os acordos atingidos em Havana abrangem as biotecnologias, novas fontes de energia, telecomunicações, equipamento agrícola e outras áreas.

A China perdoou parte da dívida cubana e aprovou quatro linhas de crédito simultâneas. A televisão cubana afirmou que os recursos financeiros serão investidos em projetos nas ilhas. Na opinião de Martynov, as áreas principais de investimento são o turismo e a exploração geológica, porque já hoje Cuba pode satisfazer até 30% das suas necessidades em combustível.

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"É uma área vulnerável da economia cubana – o combustível, especialmente em relação às perspectivas pouco claras na Venezuela", disse Martynov, acrescentando que Cuba possui uma ótima posição geoestratégica.

"O significado de Cuba crescerá com a ampliação do canal do Panamá e a perspectiva de construção de mais um canal entre os oceanos Atlântico e Pacífico na Nicarágua", destacou o analista.

Os EUA não pretendem levantar as sanções econômicas no futuro mais próximo e deixar Cuba se desenvolver rapidamente. O Japão está esperando a decisão de Washington e não pretende desenvolver os projetos anunciados por Shinzo Abe.

Assim, a visita de Li Keqiang com propostas reais deve melhorar a imagem da China entre os cubanos. Cuba se tornou para a China em uma janela para a América Latina e a China está agradecida.

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