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Analista: há certas diferenças entre Venezuela real e a que descreve a mídia

© AP Photo / Alejandro CegarraVenezuelano vestido de camiseta com Hugo Chavez
Venezuelano vestido de camiseta com Hugo Chavez - Sputnik Brasil
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Desde há vários anos, a Venezuela de Hugo Chávez e o socialismo do século XXI são o inimigo número um dos meios de comunicação hegemônicos do mundo, que criaram uma "realidade manipulada" que se tornou hoje em dia em "dogma de fé", na opinião pública mundial.

A essa conclusão chegou Fernando Casado, advogado, comunicador social e analista espanhol em seu livro "Antijornalistas. Confissões das agressões midiáticas contra a Venezuela" ('Antiperiodistas. Confesiones de las agresiones mediáticas contra Venezuela), onde o pesquisador se deu à tarefa de analisar a guerra mediática contra a Revolução Bolivariana.

O livro é resultado do contraste que sentiu Casado entre a Venezuela real e aquela que lhe vendia a mídia. O jornalista se propôs descobrir "como se constrói essa diferença entre o que eu via e o que a opinião pública internacional acreditava sobre a Venezuela".

Em primeiro lugar, o analista explica que uma confrontação ideológica entre os meios de comunicação e o socialismo do século XXI (e, em termos mais gerais, contra qualquer alternativa ao status quo ou ao 'establishment') é lógica e inevitável, dado que "os grandes meios de comunicação não são mais do que empresas cuja motivação principal é a obtenção de benefícios".

A única diferença com uma empresa qualquer, é que os meios de comunicação vendem um bem intangível: a informação. Vítima de ataques dessas "empresas de comunicação" tem sido também toda a "iniciativa que possa ser uma ameaça para os interesses que têm esses meios, tanto de caráter ideológico, como comercial e empresarial". Mas, além disso, os interesses daqueles que pagam a publicidade também são transmitidos aos meios de comunicação que vivem com a venda dessa publicidade, explicou Casado em entrevista ao programa Vozes do Mundo (Voces del Mundo) da Rádio Sputnik.

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A realidade venezuelana é "a que de maneira mais óbvia e sistemática tem sido manipulada". Quando o diário argentino La Nación intitula um de seus artigos "Venezuela, com mais mortes violentas do que o Iraque e México" (Venezuela, con más muertes violentas que Irak y México), traduzido do artigo do The New York Times, sem ter em conta as últimas estatísticas que falam de mais de um milhão de mortos no país árabe, "o que parecia a princípio ridículo, se torna uma realidade construída pelos meios de comunicação, muitas vezes publicam este tipo de informações manipuladas, e como esse estereótipo já está tão enraizado, já qualquer coisa vale. A mídia se deu conta de que esse tipo de informação sobre a Venezuela vende bem".

No entanto, o pesquisador afirma que "a demonização da situação na Venezuela não é um fim em si mesmo", o estereótipo do termo 'chavista' serve para que a mídia desprestigie qualquer tipo de fenômeno: uma lei, uma política pública, um Governo, sem a necessidade de aprofundar as explicações, mas, simplesmente, qualificando-o como terrível.

Isto é o que acontece na Colômbia, onde o presidente Juan Manuel Santos é apelidado pela oposição de castrochavista, no Chile, onde o jornal El Mercurio qualificou a presidenta chilena, Michelle Bachelet, de chavista e na Argentina, onde o Clarín e La Nación procuraram acabar com o governo falando dos laços que uniam Néstor Kirchner e Cristina Fernández de Kirchner a Hugo Chávez, explica o jornalista.

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A construção do estereótipo da Venezuela, esse demônio para os olhos da opinião pública mundial, é reforçada pelo fato de que esses diários hegemônicos trabalham em sociedades conjuntas e compartilham informações tendenciosas de país para país. É assim que todos esses diários, os quais pertencem à Sociedade Interamericana de Imprensa e ao Grupo de Diários América (GDA), compartilham informações que já vem manipulada para responder aos grandes interesses.

Além de destacar o controle da mídia sobre a informação, o analista também sublinha a situação em que vivem os jornalistas, especialmente "a precariedade laboral da profissão jornalística".

Por um lado, existem jornalistas que estão de acordo com a ideologia da mídia para a qual escrevem, por outro lado, existem outros jornalistas que estão conscientes da situação na Venezuela e que celebram algumas das conquistas sociais no país, "mas que não têm outra solução, para poder chegar ao fim do mês e ter um salário digno, que escrever o que os editores lhes solicitam, o que normalmente costuma ter um maior componente de sensacionalismo e amarelismo jornalístico para diferenciar o trabalho das agências de notícias".

No caso dos correspondentes, jornalistas com visões muito mais independentes, seus trabalhos não podem ser tomados em consideração pela mídia, se são muito positivos em relação à Venezuela, explica Fernando Casado, e por isso eles próprios se autocensuram para que seus textos sejam publicados.

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Além disso, existem os editores, os responsáveis das publicações, os colunistas e os editores. Todos eles trabalham em sintonia com a linha editorial de seus próprios diários. "De outra forma não estariam ocupando esses postos de decisão nesses meios".

Todos estes fatores são usados pelos meios de comunicação para construir "uma realidade manipulada e estereotipada que hoje em dia é um dogma de fé. (…) Hoje em dia, tentar convencer a opinião pública internacional, devido a esse bombardeio que tiveram e a essa deformação da informação, de que a Venezuela não é o demônio, é muito complicado, porque essa informação foi realmente consolidada ao longo dos anos", conclui Casado.

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