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Estudo do Ipea aponta perda maior de renda para trabalhadores que ganham menos

© Camila Domingues/ Palácio PiratiniRenda pobres
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A crise da economia brasileira está batendo diferente no bolso dos brasileiros, e há quem duvide de que as medidas que estão sendo anunciadas pela equipe econômica do presidente Michel Temer possam reverter esse cenário a curto prazo.

Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que, de junho deste ano a junho do ano passado, a deterioração do mercado de trabalho afeta mais os trabalhadores que ganham menos de um salário mínimo. Para esse grupo, a perda salarial chegou a 9% no segundo trimestre deste ano, enquanto para as faixas de renda mais altas, os 10% da população que recebem os maiores salários, houve aumento real de 2,38% no período.O levantamento mostra também que a renda média dos trabalhadores ocupados caiu 4,2% no segundo trimestre em relação a igual período de 2015.

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O estudo do Ipea também abordou a questão o desemprego, cuja maior variação de taxa ocorreu na parcela da população com mais de 59 anos. Esse índice aumentou 132% entre o último trimestre de 2014 e o segundo trimestre deste ano. O aumento do desemprego também foi maior para os idosos este ano, passando de 3,29% no primeiro trimestre para 4,75% no segundo, um avanço de 44%.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o coordenador do Grupo de Estudos de Conjuntura na Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo de Souza Júnior, diz que os grupos com menor renda foram os mais impactados. 

"Houve queda do rendimento real. Embora o número pareça indicar uma piora na distribuição de renda do rendimento do trabalho, como houve muitos outros acontecimentos também nas distribuições intermediárias, houve uma certa estabilidade no período da crise", diz Souza Júnior, observando que se a pessoa perdeu o emprego nos últimos 12 meses terminados em junho último ela não está sendo considerada na pesquisa.

Ainda assim, o especialista do Ipea observa que, enquanto na faixa etária dos mais jovens em que o desemprego é mais alto, em termos percentuais no período da crise, na comparação do segundo trimestre de 2016 com o primeiro houve uma certa estabilidade. Ele também afirma que houve um aumento na busca por emprego, principalmente para complementar a renda familiar que tem caído consideravelmente nos últimos meses. 

"As pessoas procuram emprego para tentar minimizar esses efeitos. É um fenômeno que vem acontecendo há mais tempo porque as pessoas hoje se aposentam muito cedo quando você compara com a capacidade laboral de uma pessoa nessa idade, capacidade que ela talvez não tivesse décadas atrás."

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