'Irã tenta criar contrapeso aos EUA na América Latina'

© AFP 2022 / ALFREDO ZUNIGAMinistro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, e o seu homólogo nicaraguense, Samuel Santos, na entrevista coletiva conjunta, em Managua, Nicarágua, agosto de 2016
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, e o seu homólogo nicaraguense, Samuel Santos, na entrevista coletiva conjunta, em Managua, Nicarágua, agosto de 2016 - Sputnik Brasil
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O Irã visa reforçar a sua influência nos pequenos países para criar um contrapeso aos EUA. Entretanto, agora o Irã não tem oportunidades econômicas suficientes para fazer isso, disse o especialista na economia iraniano Houshyar Rostami.

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Mais cedo se tornou público que, durante a sua viagem por seis países latino-americanos, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, disse que Teerã pode participar da construção do canal da Nicarágua, que provavelmente será criado sob o modelo do canal do Panamá, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, e permitirá realizar o transporte de mercadorias.

"A cooperação entre o Irã e a Nicarágua pode incluir a nossa ajuda na construção do Grande Canal", disse Zarif.

O especialista iraniano Houshyar Rostami afirmou em entrevista à Sputnik Persa que o canal da Nicarágua ligará o mar do Caribe com o oceano Pacífico passando pelo território da República da Nicarágua. Especialistas avaliam o futuro canal como um concorrente do Canal do Panamá. Em junho de 2013, entre o governo da Nicarágua e a empresa chinesa HK Nicaragua Canal Development Investment Group (HKND) foi assinado um contrato para a construção do canal. É um grande projeto internacional com um custo de mais de $ 50 bilhões. Além disso, os chineses receberam o direito de usar o canal durante 50 anos com possibilidade de o prolongar.

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Na opinião de Rostami, as empresas iranianas não têm potencial necessário para participar deste projeto complexo. Mesmo as empresas chinesas não conseguiriam realizar este projeto sozinhas.

"É preciso criar um verdadeiro consórcio internacional composto de algumas grandes empresas de vários países. Entretanto, devido aos proveitos políticos e condições das autoridades da Nicarágua, a etapa principal foi entregue a uma empresa chinesa", disse.

Nos últimos tempos, empresas privadas ou semiestatais se consolidam no Irã. Entretanto, mesmo estas empresas não possuem um alto potencial técnico para realizar este projeto.

O especialista afirmou que as declarações de Zarif, feitas durante a viagem pelos países da América Latina, obtiveram grande repercussão e foram criticadas no Irã.

"Foram criticadas principalmente pelo fato de que a Nicarágua é uma periferia e não está entre os países com os quais ao Irã convém reforçar a parceria econômica", sublinhou.

É importante lembrar os interesses políticos que empurram o Irã para reforçar sua influência em países pequenos, mas estrategicamente atraentes, como um contrapeso aos EUA, concluiu.

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