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Especialista argentina responde a 3 perguntas essenciais sobre impeachment de Dilma

© AFP 2022 / Miguel SCHINCARIOLBandeira brasileira com inscrição "Há um golpe no"
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Inés Nercesián, doutora em sociologia da Universidade de Buenos Aires e especialista em história e política da América Latina respondeu às perguntas da Sputnik Mundo sobre o impacto do impeachment da presidenta afastada do Brasil Dilma Rousseff.

Sputnik Mundo: Quem é que ganha com a queda de Dilma Rousseff?

Quem lançou Peão contra a Rainha? - Sputnik Brasil
Quem lançou Peão contra a Rainha?
Inés Nercesián: Em primeiro lugar, é preciso sublinhar que foi um golpe de Estado e que este golpe foi feito não simplesmente pelo Parlamento, mas sim pela elite, pela classe política. No Brasil a classe política é a elite. Hoje muitos dizem: como é possível com 61 votos anular a vontade de 54 milhões? Eu acho que este fato explica a situação política no Brasil, uma situação com a elite política que não é nova. Em segundo lugar, é preciso ter em conta os interesses econômicos.

SM: Por que era preciso afastar Dilma sem esperar até ao fim da sua presidência?

IN: Uma das razões é quebrar a liderança e diminuir a popularidade de Lula da Silva porque se houver novas eleições, há uma chance de ele ganhar. 

SM: Como o impeachment influenciará a situação na América Latina? 

IN: Em primeiro lugar, se [Michel] Temer e seus aliados continuarem no poder, o que parece muito provável, serão fortalecidos os laços com os EUA. Em segundo lugar, os laços com os EUA, segundo eu penso, irão contribuir para a priorização ulterior da situação em torno de Mercosul, que está enfraquecido pela transferência de presidência temporária para a Venezuela. E em geral na região, a Argentina já deu alguns passos na direção dos EUA e da Parceria Transpacífico [TPP] e parece que o Brasil, se não mudar a direção, irá olhar para o norte.

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