Paquistão ajudará a China a se reforçar no Oriente Médio

© AP Photo / Anjum Naveed Militar da Marinha paquistanesa no porto de Gwadar, 11 de abril de 2016
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A mídia chinesa revela que Paquistão e China concordaram em acelerar a construção do corredor econômico Xinjiang-Gwadar. Esse foi o resultado principal do diálogo estratégico que as partes realizaram no início desta semana em Pequim.

A construção acelerada da infraestrutura do noroeste da China até ao golfo de Áden entra no quadro da nova estratégia de Pequim para consolidação de sua influência no Índico e no Oriente Médio, bem como para a intenção de usar a força militar para assegurar os interesses da China no estrangeiro. Isso foi relatado à Sputnik China por especialistas.

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Pequim se assegurou da promessa de Islamabad para a realização do projeto o mais rápido possível. Os outros detalhes das negociações não foram revelados.
Entretanto, o especialista da Academia de Diplomacia da China Ren Yuanzhe considera que desta vez o tema do corredor econômico foi examinado em ligação com a iniciativa chinesa de construção do projeto Rota da Seda.

O corredor sino-paquistanês tem um papel muito importante tanto nas relações entre os dois países, como para a paz, estabilidade e desenvolvimento econômico de toda a região, sublinha o especialista.

"A promoção deste projeto está decorrendo com bastante sucesso. Acredito que a construção desse corredor está decorrendo, não para exclusão de outros países e aumento da influência da China."

Ren Yuanzhe expressa a opinião do que este projeto será uma forma de estimular a ampliação e o desenvolvimento da cooperação no Sul da Ásia.

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No entanto, os observadores chamaram a atenção para o fato de que a intenção da China de acelerar a construção do corredor até a porta de Gwadar pode estar relacionada com a realização de seus objetivos geopolíticos na região. Em particular, usar o Paquistão como uma ponte entre a China e o Oriente Médio.

Vladimir Evseev, vice-chefe do Instituto de países da CEI, acha que Gwadar poderia se tornar num posto regional de manutenção dos navios de guerra chineses.

"De acordo com a informação disponível atualmente, no território de porto Gwadar entram navios da Marinha chinesa sem anúncio formal. Podemos supor que esse porto já é utilizado parcialmente como base naval chinesa", disse ele.

O especialista sublinha: "O próprio fato da presença da China nesse porto, na verdade, significa a presença da China não apenas no Sul da Ásia, mas também no Oriente Médio. <…> Isso indica que a China está presente fora das fronteiras nacionais, não só como uma economia das economias mais importantes do mundo, mas também como um novo centro de poder militar que começa a criar bases militares nos lugares que considera necessário."

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O corredor sino-paquistanês se tornou o primeiro exemplo da proteção pela China de seus interesses com apoio militar. Na primavera, fontes paquistaneses e indianas informaram que unidades militares chinesas começaram protegendo essa infraestrutura econômica e a segurança de trabalhadores e especialistas chineses envolvidos neste projeto. São milhares de efetivos. O número do contingente chinês não foi especificado. Apenas se sabe que eles trabalham em coordenação com os militares paquistanesas. Islamabad destacou para esse fim aproximadamente 10 mil soldados.

Outro país, depois do Paquistão, onde é possível a aplicação de forças chinesas poderá ser a Síria. Bashar Assad manifestou o interesse no apoio da China à reconstrução da Síria depois da guerra. Entretanto, a China em resposta expressou sua prontidão em enviar para lá seus especialistas militares para treinamento do exército sírio. Este é um sinal do interesse dos militares chineses de participarem no destino da Síria após o término da guerra.

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