Japão não está apenas pronto a se defender, mas também a atacar?

© AFP 2022 / Toru YamanakaMilitar japonês aperta a mão a soldados das Forças de Autodefesa do Japão
Militar japonês aperta a mão a soldados das Forças de Autodefesa do Japão - Sputnik Brasil
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No início de 2015, o Japão aprovou um orçamento recorde na história do país equivalente a 42 bilhões de dólares.

As autoridades japonesas intensificaram os contatos com os EUA na área militar e cancelaram várias restrições referentes ao seu complexo militar-industrial e às exportações militares do país.

O governo do Japão também ratificou um projeto de lei que lhe permite conduzir operações militares fora do país.

Militares da Marinha dos EUA durante a cerimônia de descida da bandeiras norte-americana e japonesa em Camp Forester, perto da base militar de Futenma em Ginowan, na prefeitura de Okinawa, em 14 de novembro de 2014 - Sputnik Brasil
EUA violam o Tratado de Segurança no Japão
Em entrevista à Sputnik, Konstantin Sivkov, perito militar russo, opina que hoje o país não está apenas pronto para se defender, mas também para realizar operações ofensivas.

"Atualmente o Japão dispõe dos mais modernos veículos blindados. A quantidade de tropas terrestres japonesas permite realizar operações ofensivas de larga escala. Além disso, o Japão possui uma força aérea bastante poderosa caracterizada, além de sua componente defensivo, pela presença de aviação de ataque — caças e bombardeiros. A frota naval já há muito tempo que deixou de ser defensiva e hoje inclui contratorpedeiros americanos, adaptados às necessidades do Japão, e que são dos mais poderosos internacionalmente nesta classe com produção em série. O mais importante é que os próprios japoneses começaram a construção de verdadeiros porta-aviões. Apesar de serem designados de porta-helicópteros, eles têm o deslocamento típico de um porta-aviões com 37 mil toneladas e capaz de receber entre 20 a 30 aviões F-35 norte-americanos. Porta-aviões desta categoria são destinados a missões ofensivas em áreas marítimas distantes do território japonês", ressalta Sivkov.

O governo do Japão sempre reitera seus três princípios não nucleares — não ter, não produzir e não importar armas nucleares para o seu território. Porém, todos estes princípios, de fato, não são leis e podem ser cancelados ou revistos.

Tóquio possui uma rede ampla de infraestruturas atômicas e grandes reservas de plutônio. Mas será que o Japão pode ter plutônio destinado a fins militares?

Segundo Sivkov, no caso de combustível nuclear, o nível de enriquecimento de urânio e plutônio deve ser em torno de 20 por cento, mas para uma bomba nuclear ele deve alcançar os 90-95 por cento:

"Tal nível de enriquecimento de urânio é desnecessário para usinas nucleares e até é perigoso, pois pode explodir dentro da usina como se fosse uma bomba nuclear. O fato de os japoneses estarem enriquecendo urânio até 90-95 por cento demonstram seus preparativos para criação de uma bomba nuclear. Neste caso, há necessidade de tomar medidas a fim de impedir essas ações porque isso significa uma violação grave da constituição japonesa e do tratado de não proliferação de armas nucleares que o Japão assinou. E, afinal, isso gera uma ameaça nuclear séria na área do Extremo Oriente e do Sudeste Asiático. Surgem assim três pontos de ameaça com armas nucleares que podem usá-las em qualquer momento: Coreia do Norte, China e Japão. Aparece um triângulo nuclear bem perigoso, especialmente na relação Japão-China. Se o conflito entre eles se agravar, qualquer coisa poderá ocorrer."

Imagem artística de uma explosão nuclear - Sputnik Brasil
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Durante uma reunião com o atual primeiro-ministro japonês Shinzo Abe em Washington, o presidente dos EUA declarou que as garantias de segurança do Japão são 'absolutas'. Essas garantias também se propagam aos territórios disputados com a China (Ilhas de Senkaku).

Alguns analistas pensam que nos EUA existem forças que querem acender um conflito na Eurásia e no Pacífico, observando que Washington não deve "estar na primeira linha". Vietnã, Filipinas, Índia, Japão e outros países descontentes com o crescimento do poder da China deverão desempenhar o papel da infantaria. E o Japão, na opinião de estrategistas, deve se tornar o principal adversário da China.

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