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Cepal: Brasil é o país mais endividado da América Latina e do Caribe

ENTREVISTA COM ROBSON GONÇALVES 2 DE 01 08 16
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O Brasil volta a ocupar posição de liderança nada honrosa em termos de economia. Relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) aponta o país como o mais endividado na região, levando-se em conta a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo a Cepal, a relação do Brasil é de 66,5%, quase o dobro dos 35,9% da média da região em 2015. O índice brasileiro está bem acima do  Chile (17,5%), Argentina (53,3%), Uruguai (46%), Paraguai (16,6%) e Peru (19,5%).

O estudo da comissão aponta ainda que os indicadores fiscais brasileiros apresentaram deterioração no ano passado devido à recessão econômica, que levou o PIB a fechar 2015 com uma contração de 3,8%, a maior em 25 anos. Com isso, a arrecadação caiu, embora os gastos do governo continuassem a mostrar expansão.

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O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Robson Gonçalves reconhece que a situação não é boa, mas minimiza a questão da leitura dívida x PIB. Segundo ele, essa relação é muito específica de cada país, por isso a comparação entre países deve ser feita com cuidado. 

“A relação no Brasil é de menos de 70% do PIB, mas no Japão ela é de 180% e nos Estados Unidos, recentemente, ultrapassou a marca de 65% do PIB, enquanto na Rússia é de menos de 20%. E a Rússia é um país muito menos solvente do que o Japão e os EUA. É preciso olhar com cautela e o contexto histórico dessa evolução.”

Gonçalves diz que uma relação de dívida x PIB elevada, mas com uma arrecadação em alta e controle de gastos pode significar que, no conjunto, as contas públicas estão solventes e sob controle. 

“O problema do Brasil nem é tanto ele ter uma relação dívida x PIB maior que a do Chile ou do Uruguai, mas é a piora desse indicador no Brasil ao longo do tempo, consequência de um gasto crescendo continuamente e de arrecadação caindo por conta da recessão. Parte da herança desse indicador elevado é por conta de não ter havido calote nas últimas décadas, o que não significa que seja bom estar nessa liderança. Pelo contrário. O ideal seria ter uma relação historicamente mais baixa e um equilíbrio de arrecadação e despesa. A análise da Cepal é muito consistente e bem elaborada.”

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