No que pode resultar o encontro entre Putin e Erdogan?

© Sputnik / Aleksei Druzhinin / Abrir o banco de imagensPresidente turco Recep Tayyip Erdogan e o presidente russo Vladimir Putin durante o encontro bilateral em Kremlin, Moscou, Rússia, setembro de 2015
Presidente turco Recep Tayyip Erdogan e o presidente russo Vladimir Putin durante o encontro bilateral em Kremlin, Moscou, Rússia, setembro de 2015 - Sputnik Brasil
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A reunião entre os líderes da Rússia e Turquia será realizada somente no mês que vem, mesmo assim, especialistas russos já estão cheios de opinião.

Vladimir Putin, juntamente com o seu homólogo Recep Tayyip Erdogan, terá agenda cheia de tópicos para discutir, admitiu o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov. Os especialistas russos acham que o interesse-chave de Moscou é atrair a atenção de Ancara pela necessidade de interromper o apoio dado pela Turquia à terroristas na Síria.

Na terça-feira (26), Peskov confirmou que a reunião entre Putin e Erdogan será realizada em São Petersburgo no dia 9 de agosto. Mesmo assim, até o momento, não há informações sobre a agenda de negociações, de acordo com o porta-voz.

"Os tópicos da reunião não foram discutidos; há uma troca de diferentes propostas. Essa será a primeira reunião realizada há um tempo, sendo a primeira após os dois líderes conseguirem virar a página, levando a não faltar tópicos para discutir", divulgou Peskov à jornalistas.

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Especialistas russos acreditam que os temas abrangerão política, economia e questões de segurança regional. Em particular, os especialistas que falaram com o site analítico independente Svobodnaya Pressa, sublinharam que o tema mais importante será o terrorismo.

O site afirma que as relações bilaterais durante os últimos seis meses estavam mudando drasticamente toda hora: em novembro de 2015, a Força Aérea turca abateu avião russo Su-24, matando o piloto, fazendo com que agravasse a relação, quase trazendo os países à margem de guerra. Depois do acontecido, houve um longo período “frio” na política e economia que trouxe muitas perdas à Turquia.

"Parece que Erdogan até pediu desculpas, esperadas pela Rússia", escreveu a mídia russa.

Recentemente o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, agradeceu ao presidente russo pelo apoio às autoridades turcas durante a tentativa de golpe de Estado. O Kremlin não confirmou a declaração do chanceler turco.

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Mesmo assim, o país tenta "mudar o cenário" com a Rússia, escreveu o site. Tem como provas, recentes declarações do ministro da Economia da Turquia, Nihat Zeybakchi, sobre o fato de todas as decisões relativas ao projeto do gasoduto Corrente Turco e ao projeto da usina nuclear Akkuyu já terem sido feitas, mas tem o próximo encontro bilateral como ponto de partida para realização dos mesmos.

Especialista sênior do Centro de Estudos politico-militares do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO), Mikhail Aleksandrov, explicou à Sputnik que "a postura de Erdogan é muito racional".

"Ele se encontra em uma situação difícil. Os países ocidentais organizaram uma tentativa de golpe contra ele o que, felizmente, acabou sem sucesso. Agora Erdogan de fato está isolado. Ele precisa acabar com a quinta coluna pró-ocidental no país; incluindo a ‘limpeza’ no exército e entre funcionários civis".

De acordo com Aleksandrov, o Ocidente não gosta da postura do presidente turco e a pressão contra ele está aumentando. Nessas horas, é perceptível a necessidade de apoio enfrentada por Erdogan, fazendo com que busque à Rússia.

Aleksandrov ressaltou que, atualmente, é difícil compreender se Erdogan está sendo sincero ou está simplesmente fazendo jogo político. O especialista do MGIMO acha que isso ficará claro a partir das futuras ações turcas. Em particular, o apoio oferecido pelo país ao grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia) bem como a outros grupos que operam na Síria.

"As portas da Turquia devem ser fechadas ao Daesh caso Erdogan queira se tornar amigo da Rússia. É completamente possível que esse tipo de acordo somente seja feito de forma oral. Erdogan, mesmo relutante, provavelmente concordará em dar este passo", disse Aleksandrov.

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Ele sublinhou também que "a questão está em como Ancara vai pôr em prática o acordo, levando em consideração que há uma possibilidade de conflito com os Estados Unidos… Só na prática será possível ver se Erdogan aceitará o desafio de dar este passo".

Outro especialista russo, Aleksei Obrastsov, pesquisador-chefe do Centro de Estudos da Ásia e África da Escola Superior da Economia, está mais pessimista sobre o futuro.

"Eu não esperaria quaisquer decisões sensacionais deste encontro", disse à Sputnik.

Ele acha que algumas decisões podem ser tomadas, mas em geral a visita do presidente turco é devido à situação econômica da Turquia já que o país perdeu muito após o conflito de interesses entre os países. Em particular, na área social e econômica.

No momento, só podemos esperar que o encontro contribua para resolução da crise síria que não só deixou o país em ruínas, mas também agravou a situação em todo o Oriente Médio.

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