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Notícias sobre política, economia e sociedade do Brasil. Entrevistas e análises de especialistas sobre assuntos que importam ao país.

ONG de defesa das mulheres reage a declarações de José Serra no México

ENTREVISTA JAQUELINE PITANGUY 2 DE 27 07 16
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Mais uma gafe da diplomacia brasileira no exterior. Durante encontro com a ministra das Relações Exteriores do México, Claudia Massieu, o ministro José Serra afirmou que para os políticos no Brasil é um perigo saber que metade do Senado mexicano é composto por mulheres. A afirmação causou constrangimento tanto no México quanto no Brasil.

Durante o encontro, em que foram discutidas questões comerciais entre os dois países – como o Acordo de Complementação Econômica, criado em 2002, que regula a exportação e importação de 800 produtos – ficou clara a diferença de percepção quanto à presença feminina de ambos os países no tocante à participação feminina no Congresso.

A equipe de Serra era formada por seis homens e uma mulher, enquanto a comitiva mexicana era composta por quatro mulheres e dois homens. A desproporção chamou a atenção dos jornalistas, que lembraram da foto oficial da composição do novo governo do presidente interino Michel Temer em maio, após o afastamento da presidente Dilma Rousseff: os integrantes dos 22 ministérios eram todos homens, brancos e sem nenhum negro.

A diferença da presença das mulheres nos legislativos brasileiro e mexicano fala por si. Enquanto no México dos 128 senadores 47 são mulheres, ou 36% do total, no Brasil as mulheres representam apenas 20% da casa. Segundo a União Interparlamentar — entidade que acompanha a participação das mulheres no legislativo de vários países — o Brasil está no 153º lugar do ranking de 185 nações no tocante à participação feminina na vida política.

O México está na sétima posição do ranking. A razão para isso está no fato de que em 2014 o Congresso mexicano aprovou uma lei que exige dos partidos a indicação de 50% de candidatas mulheres na formação de seus quadros. No Brasil, lei semelhante determina que essa presença seja de 30%. Graças a essa exigência, contudo, hoje 212 mulheres ocupam assentos na Câmara dos Deputados depois das eleições de 2015, perfazendo 46% do total.

A socióloga Jaqueline Pitanguy, da ONG Sepia, de defesa daas mulheres, diz que o comentário de Serra é bastante significativo.

"O que podemos deduzir desse episódio é que, para nosso Congresso em geral, saber que um grande percentual de senadores no México é composto de mulheres seria didático, não um perigo, mas uma oportunidade para refletir e tomar consciência do fato de que o Brasil é lanterna na América Latina, em termos de participação da mulher na política. Estamos lá atrás, lá atrás mesmo."

Para Jaqueline, a composição da delegação brasileira que foi conversar com a delegação mexicana era majoritariamente masculina e nostrou também que o Brasil, que se considera um país moderno, está de fato atrasado nessa questão.

"O perigo não existe. O que existe é um efeito pedagógico que, espero, as forças políticas do Brasil possam aprender de lição. O sentido da frase do ministro Serra é bastante incomprensível. Perigo de que? De que o Brasil queira alcançar uma paridade de gênero?", questiona a socióloga. 

Jaqueline lembra que, quando do anúncio do ministério do novo governo interino, estava na Organização das Nações Unidas, em Nova York é lá ouviu de delegados de vários países como era possível que, no século 21, o Brasil não tivesse nenhuma mulher em nível de ministro.

"Isso é um disparate porque o Brasil, por força do movimento de mulheres, avançou muito na Constituição, em legislações mais igualitárias, apesar do conservadorismo religioso de agora, quando enfrentamos atrasos em todas as frentes. Na prática política, porém, é essa vergonha." 

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