Turquia impede investigações sobre matança de curdos no sudeste do país, diz HRW

© AP Photo / Ayse WietingUma criança curda perto da sua casa destruída na cidade de Cizre
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O governo turco está bloqueado o acesso no sudeste do país a investigações independentes sobre abusos contra civis na região, onde as forças de segurança lutam em ofensiva contra combatentes curdos, segundo denunciou a organização internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW).

Uma mulher passa por um edifício que foi danificado durante confrontos entre forças de segurança turcas e militantes curdos, na cidade do sudeste de Silvan, na província de Diyarbakir, Turquia, 7 de dezembro de 2015. Foto tirada em 7 de dezembro de 2015. REUTERS / Murad Sezer - Sputnik Brasil
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Alguns dos supostos abusos contra civis na Turquia incluem assassinatos, deslocamentos em massa e destruição ilegal de propriedade privada, de acordo com um relato publicado pela HRW.

"O governo deve conceder sem demora ao Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas a permissão para entrar na zona e investigar de acordo com seus padrões", exorta o texto.

De acordo com Emma Sinclair-Webb, principal investigadora da HRW na Turquia, o bloqueio de Ancara promove "preocupações sobre um grande encobrimento".

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Há "relatos críveis de que as forças de segurança turcas mataram civis deliberadamente, incluindo crianças, que carregavam bandeiras brancas ou estavam presas em porões", diz a representante da organização.

Segundo a HRW, pelo menos 338 civis foram mortos em confrontos desde a ruptura do cessar-fogo entre o governo e os combatentes curdos em julho de 2015. Outras estimativas variam entre 500 e 1.000 civis mortos. A maior parte da destruição, de acordo com o relatório, tem ocorrido em nove cidades no sudeste da Turquia, incluindo a cidade fronteiriça de Cizre.

​Foram introduzidos toques de recolher ininterruptos em 22 municípios e bairros, afirma a HRW, acrescentando que tais medidas proíbem qualquer movimentação sem permissão e impedem o acesso de organizações não governamentais, jornalistas e advogados à região.

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"As autoridades impediram grupos de direitos humanos – incluindo a Human Rights Watch, a Anistia Internacional e os Médicos pelos Direitos Humanos –, de tentar documentar os abusos, mesmo depois que os toques de recolher e as operações terminaram", diz a HRW.

Sinclair-Webb insiste que "os procuradores devem investigar exaustivamente e de forma eficaz todas as denúncias de abusos por parte das forças estatais e grupos armados", e que não se devem permitir "medidas judiciais ou extrajudiciais" que assegurem a impunidade dos responsáveis por esses crimes.

Apesar das crescentes evidências de abuso, o governo turco nega ter atacado civis em suas operações militares no sudeste do país.

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