Opinião: OTAN é instrumento dos EUA para controlar Europa

© REUTERS / Agencja Gazeta/Adam StepienO secretário-geral da OTAN Jens Stoltenberg com oficiais e funcionários militares em frente de um drone da OTAN sem nome, perto do Estádio Nacional PGE, o lugar da realização da cimeira da Aliança Atlântica na Varsóvia (Polônia). 8 de julho, 2016
O secretário-geral da OTAN Jens Stoltenberg com oficiais e funcionários militares em frente de um drone da OTAN sem nome, perto do Estádio Nacional PGE, o lugar da realização da cimeira da Aliança Atlântica na Varsóvia (Polônia). 8 de julho, 2016 - Sputnik Brasil
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O chamado Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, pode não acontecer, porque já foram registradas tentativas para realizar um novo referendo, o que, claramente, corresponde aos interesses dos EUA e da OTAN.

Mas, caso o Brexit aconteça realmente, a OTAN retornará ao papel que o bloco tinha logo após a sua criação, notou em entrevista à Sputnik Vladislav Jovanovic, veterano da diplomacia iugoslava e ex-embaixador da Iugoslávia na Turquia.

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De acordo com a opinião do especialista, a Aliança Atlântica neste caso teria o mesmo objetivo que 50 anos atrás: conter a Alemanha na Europa, e a antiga União Soviética, sobretudo a Rússia, o mais longe possível da Europa, e os EUA manterem o estatuto de potência militar mais poderosa do “velho mundo”.

O processo de tornar a UE mais fraca, segundo Jovanovic, não acabará com um “brexit”, não só por causa das contradições internas de certos países, mas também devido a vários outros problemas na Europa, que ela não poderá resolver em breve, se é que isso em geral poderia ser feito usando métodos existentes, que parecem já ter deixado de ser atuais.

Mas seja qual for a situação na Europa, os interesses dos EUA continuarão a incluir a manutenção de suas posições no continente, então a OTAN pode receber mais uma função adicional — não só a militar, mas também a de controle do nível de influência dos EUA sobre a EU, opina o ex-embaixador.

"Os americanos influíram a Europa através da OTAN e da Grã-Bretanha e agora, se o Reino Unido sair, será preciso fortalecer o outro fator, quer dizer a OTAN," disse.

Mesmo assim, continua pouco claro, se a Aliança Atlântica continuará considerando a Europa de Leste como um propagador de seus interesses na cena política da velha Europa.

"O Reino Unido se opôs por muito tempo à entrada na CEE [Comunidade Econômica Europeia], mas os EUA o encorajou e ele entrou, e sempre travou o posterior desenvolvimento da ideia de Europa como estrutura supranacional. Ele atrasava tudo o que poderia tornar a CEE ou a UE em uma força mundial independente, que não seria tão dependente assim dos EUA", fez lembrar o diplomata.

Seja como for, após o Brexit os Estados Unidos deverão procurar um novo país ou grupo de países para controlar os processos de integração dentro da União Europeia, concluiu o especialista político.

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