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Corrupção: para especialista, cobrança de ONG é momento para reflexão no Brasil

ENTREVISTA COM WAGNER MENEZES 2 DE 29 06 16
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As notícias envolvendo casos de corrupção no Brasil fizeram o país perder sete pontos no ranking da ONG Transparência Internacional. Da 69ª posição em 2015, o país caiu para a 76ª colocação agora. O presidente da ONG, o peruano José Carlos Ugaz, esteve reunido com parlamentares no Congresso a quem cobrou medidas mais eficazes contra essa prática.

O encontro com parlamentares se deu um dia após a visita feita por Ugaz ao juiz da 5ª Vara Federal em Curitiba, Sérgio Moro, que está à frente do julgamento das ações formuladas pelo Ministério Público Federal e a Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato. Ugaz aproveitou a vista ao país para anunciar que a Transparência Internacional, presente em 114 países, vai voltar a ter representação no Brasil após uma ausência de quase dez anos.

O dirigente da ONG disse que as propostas da Procuradoria Geral da República devem ser levadas adiante.

"Tem que criminalizar o enriquecimento ilícito no exercício da função pública. Tem que aumentar a pena por corrupção. São regras básicas que existem na maioria dos países", disse Ugaz.

Há duas semanas foi criada ma Câmara uma Comissão Especial para discutir as propostas apresentadas pelo Ministério Público Federal para tornar mais rígidas as leis sobre corrupção. As medidas receberam o apoio de mais de 2 milhões de assinaturas, mas a comissão ainda não foi instalada porque alguns partidos ainda precisam indicar seus membros.

Em entrevista à Sputnik, o presidente da Associação Brasileira de Direito Internacional (ABDI), Wagner Menezes, diz que o puxão de orelhas da Transparência Internacional coloca o país no divã, tanto autoridades quanto a própria sociedade, e que é necessário que se pense o que se está fazendo com o pais e o futuro que estamos construindo.

Deputado Federal Antonio Carlos Mendes Thame - PV/SP - Sputnik Brasil
Corrupção será considerada crime hediondo

"A questão de queda nesse ranking internacional é só mais um sintoma daquilo que tem caracterizado o que é a nossa sociedade contemporaneamente mas também ao longo da história. Macunaíma está mais vivo em nós do que nunca."

Menezes diz que o maior combate à corrupção é um anseio de toda a sociedade, mas lembra que esse discurso também envolve um comprometimento mais amplo de todos os setores. Segundo ele, quando se credita aos políticos o que se passa, isso é mais um retrato da própria sociedade. Para o especialista, essa transformação tem que ser mais profunda, uma tomada de decisão conjunta da sociedade que passa pela educação.

"O apoio da Transparência Internacional a esse projeto, às instituições e à imprensa é muito positivo. Obviamente uma ONG internacional têm suas limitações. Ela é uma entidade com um grau de respeitabilidade porque faz estudos sobre a questão da corrupção, da democratização das informações e governos. Do ponto de vista jurídico e normativo, a extensão do efeito desse apoio é mínimo, mas demonstra também que a sociedade internacional tem feito uma leitura que envergonha a todos nós brasileiros. Existe um quadro de pressão internacional que não é bom para nós enquanto país, não faz bem a nossa autoestima. Todos nós podemos fazer uma leitura dessa visita da Transparência Internacional como um momento de reflexão para uma mudança naquilo que queremos."

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