Rússia revela arquivos desconhecidos da Segunda Guerra Mundial

© Sputnik / Yevgeny KhaldeiOs dois irmãos artilheiros Dolgov do grupo de patrulha marítima num dos navios da Frota do Norte durante a Segunda Guerra Mundial
Os dois irmãos artilheiros Dolgov do grupo de patrulha marítima num dos navios da Frota do Norte durante a Segunda Guerra Mundial - Sputnik Brasil
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Documentos dos serviços de inteligência soviéticos, entre eles papéis traduzidos do Terceiro Reich, atas de interrogatório de prisioneiros de guerra e cartas pessoais de soldados nazistas, foram publicados nesta quarta-feira (22) em Moscou, por ocasião do 75º aniversário da invasão nazista da URSS.

A coleção compreende 341 registros, até agora desconhecidos pelo público, e foi revelada pelo Instituto Alemão de História em Moscou (DHI, na sigla em alemão) e pelo Arquivo Central do Ministério da Defesa russo. Em geral, os arquivos refletem as mudanças na avaliação da situação bélica da frente oriental por parte de altos oficiais nazistas, bem como o estado de ânimo dos soldados à medida que a vitória ia pendendo para o lado soviético.

Um dos documentos mais interessantes da publicação é uma instrução para o tratamento da população soviética datada de 1944, de acordo com o pesquisador do DHI Matthias Uhl.

"Os russos, especialmente os bielorrussos, ucranianos e russos do norte, pertencem à família dos povos arianos. Eles têm muito sangue viking em suas veias, coisa de que são muito orgulhosos", diz o documento.

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"Avaliando este documento deve ser entendido o ano em que ele foi emitido. No início da campanha oriental se acreditava que os russos não eram necessários. Por isso, a atitude relevante. Mas a instrução foi emitida muito mais tarde, quando a política já tinha mudado. Tornou-se claro que a guerra não seria rápida e que era necessário captar mão de obra entre a população local. Além disso, eles também geraram planos para criar unidades militares formadas por russos", explicou o historiador, citado pelo jornal Kommersant.

Falando sobre o tratamento de prisioneiros de guerra soviéticos no início da guerra, Uhl mencionou outro documento, um relatório datado de 1941, sobre "espancamentos desumanos de prisioneiros soviéticos que não podiam mais andar por estarem desnutridos e exaustos".

Em um informe de inteligência militar sobre a 12ª Divisão Panzer 12 da Wehrmacht, datado de 1942, lê-se a respeito de "queixas sobre o frio, congelamentos, equipamentos ruins, que, no entanto, não levam à crítica ao governo de Hitler".

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"Este relatório mostra em que pressão se encontrava o Exército alemão. Vemos que suas divisões estavam tão exaustas que já não eram mais como em 1941", disse Uhl.

Os sentimentos e o moral dos soldados da Wehrmacht foram bem caracterizados na carta de um soldado alemão escrita em 1943: "É terrível, não se vê o fim desta guerra. Já não vemos nada alegre".

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