Embaixador em Washington rebate acusações de jornal sobre impunidade política no Brasil

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Atendendo a ordens expressas do ministro das Relações Exteriores, José Serra, o embaixador brasileiro em Washington, Luiz Alberto Figueiredo, rebateu as acusações feitas pelo jornal "The New York Times" de que o Brasil vive um clima de impunidade de seus políticos e membros do primeiro escalão do governo envolvidos em denúncias de corrupção.

Em editorial publicado no último dia 6, o jornal americano publicou artigo com o título "A medalha de ouro em corrupção no Brasil", fazendo alusão à proximidade do início dos Jogos Olímpicos no Rio, em agosto. No texto, o "The New York Times" afirma que "o foro privilegiado a parlamentares e ministros permitiu uma cultura de corrupção e impunidade institucionalizada".

Para o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, a existência de um foro privilegiado no país não impede que parlamentares e ministros sejam acusados ou condenados, apenas garante que sejam julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o embaixador, a noção de que as instituições brasileiras estão sujeitas a caprichos políticos é um conceito ultrapassado.

"Não há espaço no Brasil para dar abrigo aos amigos do poderosos. A lei é a mesma para todos, inclusive presidentes e ex-presidentes. O presidente em exercício, Michel Temer, declarou pública e repetidamente seu compromisso com a continuidade das investigações em andamento sem qualquer distinção política ou de partido", afirmou Figueiredo.

Após o afastamento da presidente Dilma Rousseff, em 12 de maio, fruto da aprovação do pedido de impeachment no Senado — que agora precisa ser ratificado em plenário, após esgotados todos os prazos para que a Justiça ouça defesa e acusação —, uma série de críticas à legitimidade do processo foi proferida por diversos países, especialmente na América do Sul. Venezuela, Equador e instituições como a União das Nações Sul Americanas (Unasul) condenaram publicamente o processo, levantando a hipótese de que o afastamento é, na verdade, um golpe perpetrado por setores conservadores do Brasil derrotados na última eleição, e apoiados por um grande aparo midiático que contou com a ingerência de interesses internacionais.

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Irritado com os argumentos apresentados por essas vozes, o Ministério das Relações Exteriores determinou que todas as representações brasileiras no exterior passassem a repudiar veementemente essas acusações, com o argumento que o processo de impeachment conta com total embasamento jurídico previsto na Constituição brasileira.

Apesar da orientação, nas últimas semanas diversos protestos e manifestações têm eclodido e não só na América Latina. Na semana passada e nesta, manifestações questionando a legalidade do impeachment e as mudanças econômicas e sociais que estão sendo apresentadas peo governo interino têm acontecido em diversos países europeus, como em Portugal, França, Alemanha e Espanha. Em contrapartida, afora um tímido pronunciamento do governo americano, afirmando que as instituições brasileiras estão suficientemente maduras para conduzir o processo, nenhum desse países se manifestou oficialmente sobre a mudança de governo.

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