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Dilma: ‘Eu me sinto injustiçada’

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Um dia após a aprovação do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados a Presidenta Dilma Rousseff disse sentir-se injustiçada mas garantiu que não vai se abater ou perder a esperança.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (18), no Palácio do Planalto, a presidenta disse estar indignada, pois assistiu ao longo da noite a todas as intervenções e não viu uma discussão sobre o crime de responsabilidade do qual é acusada.

“Injustiçada, porque considero que esse processo não tem base de sustentação. Os atos pelos quais eles me acusam foram praticados por outros presidentes da República antes de mim e não se caracterizaram como sendo atos ilegais ou criminosos, foram considerados legais. Portanto, quanto eu me sinto indignada e injustiçada, é porque a mim se reserva um tratamento que não se reservou a ninguém” – declarou Dilma Rousseff.

A presidenta disse ainda que se sente injustiçada por não terem permitido, através de pautas-bomba, que ela nos últimos 15 meses tenha podido governar em um clima de estabilidade política, e porque a sessão da Câmara foi presidida por alguém que é acusado de ter contas ilegalmente no exterior.

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"Não há contra mim nenhuma acusação de desvio de dinheiro público, por isso me sinto injustiçada."

A presidente procurou deixar claro que enfrentou a ditadura por convicção, no passado, e agora faz o mesmo, enfrentando por convicção um golpe de Estado.

“É o golpe em que se usa uma aparência de processo legal e democrático para perpetrar talvez o mais abominável crime contra uma pessoa, que é a injustiça, é condenar inocente.”

Segundo Dilma, o mundo e a história observam cada ato praticado nesse momento.

“Eu tenho ânimo, força e coragem suficientes para enfrentar, apesar que com um sentimento de muita tristeza, essa injustiça, mas eu tenho força, ânimo e coragem. Eu não vou me abater. Eu não vou me deixar paralisar por isso, eu vou continuar lutando, e vou lutar como fiz ao longo de toda a minha vida.”

Dilma Rousseff encerrou o pronunciamento dizendo que de certa forma está tendo seus sonhos torturados, mas mantém viva a esperança.

"Não vão matar em mim a esperança. Sem democracia não há e nem haverá crescimento econômico. A democracia será sempre do lado certo da história.”

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Ao responder em seguida às perguntas da imprensa, a presidente falou sobre a possibilidade de reduzir o seu mandato diante da crise no país e propor novas eleições junto ao Congresso. Segundo Dilma, tudo pode ser analisado, mas este não é o caso agora.

“Tudo que nós jamais podemos aceitar é que o cumprimento da legalidade não se dê no processo. Todas as outras alternativas você pode avaliar, mas eu não estou avaliando isso agora.”

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