Será que questão da Ucrânia faz Europa ignorar opinião do seu próprio povo?

© AFP 2022 / EMMANUEL DUNANDBandeiras da União Europeia próximo ao edifício da Comissão Europeia, Bruxelas
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Em 6 de abril foi realizado na Holanda o referendo sobre a ratificação do acordo de associação entre a Ucrânia e a União Europeia. No referendo, a maioria da população votou contra. Apesar disso, há expectativas de que a União Europeia possa abolir os vistos com a Ucrânia mesmo contra o desejo do povo holandês.

Os resultados oficiais da votação foram divulgados hoje (12) no site oficial da Comissão Eleitoral do país. Um total de 38,21% dos eleitores holandeses se expressou pela ratificação do acordo com a Ucrânia e 61% manifestaram-se contra.

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No domingo (10), a agência noticiosa Reuters informou que a Comissão Europeia provavelmente irá  estabelecer a isenção de vistos nas relações com a Ucrânia, ignorando os resultados do referendo holandês. A publicação britânica The Daily Express já qualificou tal decisão de desrespeito pela democracia da União Europeia e pelo povo holandês.

Por seu turno, o presidente ucraniano disse que espera que a Comissão Europeia apresente uma iniciativa legislativa sobre a isenção de vistos entre a Ucrânia e a UE.

“O acordo de associação não será alterado. Já está sendo aplicado, começando com a zona de livre comércio”, afirmou Poroshenko no domingo (10) em entrevista ao canal televisivo ucraniano.

O cientista político russo Pavel Svyatenkov, em sua entrevista para a rádio Sputnik, disse que a isenção de vistos com a Ucrânia é um apoio para o presidente ucraniano Pyotr Poroshenko.

“A UE pode abolir os vistos para os ucranianos se for tomada a decisão de apoiar Pyotr Poroshenko. É que [o primeiro-ministro Arseny] Yatsenyuk renunciou e, por causa do referendo na Holanda, é preciso demonstrar à população ucraniana uma dinâmica positiva”, afirmou.

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Na sua opinião, se a Ucrânia não receber este apoio, o foco da integração europeia na política ucraniana sob o governo de Poroshenko fracassará e Poroshenko terá de demitir-se também.

“É preciso que a liderança da União Europeia defina a sua posição. O mais provável é que este assunto seja negociado. Se a UE estabelecer a isenção de vistos pouco depois do referendo na Holanda, será considerado por muitos como um total desrespeito pela população dos países europeus”, destacou Svyatenkov.

Entretanto, o diretor do Centro dos Estudos Euroasiáticos, Vladimir Kornilov, disse que a Comissão Europeia não pretende abolir os vistos, somente continua realizando os seus planos precedentes.

“Com efeito, a Comissão Europeia realiza negociações com a Ucrânia já por muito tempo. Além disso, planejava divulgar a sua conclusão [sobre os vistos] antes do referendo na Holanda e, por causa do referendo, adiou esta decisão para não irritar ninguém. Consequentemente, o referendo foi realizado e a Comissão Europeia decidiu continuar este processo. Entretanto, a Comissão terminará a parte técnica dos trabalhos, submeterá o assunto à consideração do Parlamento Europeu e dos parlamentos nacionais. Ao longo deste processo, julgo que as consequências do referendo na Holanda podem ter certa influência. Penso que, no final das contas, quando o Parlamento europeu começar a debater este assunto sobre a abolição de vistos com a Ucrânia, se lembrarão da posição do povo holandês“, disse.

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Ao mesmo tempo, o especialista destacou que a associação e a isenção de vistos não são a mesma coisa.

“Há que lembrar que o referendo tratava do assunto do acordo de associação e não da abolição de vistos. Em teoria, estes dois assuntos não estão relacionados, mas um dos motivos para realizar a votação <…> foi o medo de abolir os vistos”, disse Kornilov.

Segundo o vice-presidente do Comitê de Defesa e Segurança do Conselho de Federação (câmara alta do parlamento russo), Frants Klintsevich, os holandeses votaram contra a associação com a Ucrânia porque é mais uma fonte de imigração não controlada, de crime e corrupção.

Na opinião de Kornilov, a Comissão Europeia não ignora o referendo, mas a decisão final não depende dela.

“<…> A Comissão Europeia tem vindo a prometer já por muito tempo a abolição dos vistos, tem mostrado esta “cenoura” à Ucrânia, mas com certeza, submeterá este assunto ao  Parlamento Europeu. Penso que alguns problemas serão ligados a esta isenção de vistos, e pode ser que, no fim, a Ucrânia não o venha a ter", concluiu Kornilov.

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