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PM mata Trabalhadores Sem Terra no Paraná

© AFP 2021 / MAURICIO LIMATrabalhadores Sem Terra choram em protesto pela morte dos 19 campesinos massacrados em Eldorado dos Carajás em 1996 - foto de 17 de abril de 2001
Trabalhadores Sem Terra choram em protesto pela morte dos 19 campesinos massacrados em Eldorado dos Carajás em 1996 - foto de 17 de abril de 2001 - Sputnik Brasil
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Um confronto entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e policiais militares em um acampamento no sudoeste do Paraná nesta quinta-feira (7) deixou dois trabalhadores mortos e ao menos seis pessoas feridas.

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O episódio ocorreu no município de Quedas do Iguaçu. Segundo uma nota da direção do MST, há um conluio entre os pistoleiros da empresa de reflorestamento Araupel, que grilou a área ocupada por cerca de 2,5 mil famílias, e a Polícia Militar (PM), que atacou um grupo de trabalhadores acampados em uma estrada da região "sem ao menos conversar".

Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), os homens da PM ambiental estavam com uma equipe da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) em uma área chamada Fazendinha, verificando um foco de incêndio, quando teriam sido interceptados por mais de 20 integrantes do MST que, segundo a Sesp, reagiram à abordagem com disparos de arma de fogo.

O movimento social, por sua vez, afirma que o secretário da Casa Civil do governo paranaense, deputado federal Valdir Rossoni, tendo sido financiado pela Araupel durante sua campanha eleitoral, comprometeu-se em troca a reprimir os sem terra até tirá-los da área grilada pela empresa, inclusive insuflando os policiais militares, que se sentiram "livres até para matar" os ocupantes.

​O MST cobra punição aos mandantes e aos assassinos, reitera a necessidade de reforma agrária na região e exige a efetivação da decisão judicial que deu nulidade aos títulos de propriedade da empresa. Além disso, os sem terra negam que tenham emboscado a PM, e afirmam que foi justamente o contrário que aconteceu.

Leia a íntegra da nota:

Nota da direção regional — MST

Conflito em Quedas do Iguaçu-PR

1. Mais uma vez explode o conflito em torno da Reforma Agrária no município de Quedas do Iguaçu, no momento em que conluiados os pistoleiros da Araupel e a PM do Paraná, atacaram frontalmente um grupo de sem terras, sem ao menos conversar, numa estrada da área grilada pela Araupel, com decisão judicial de nulidade dos títulos de propriedade;

2. Uma semana antes o atual secretário da casa civil e deputado federal, Valdir Rossoni, passou por Quedas do Iguaçu e comprometeu-se com a Araupel que reprimiria os sem terras até tirá-los da área grilada. Já há algumas semanas a PM faz bloqueio ostensivos, faz ameaças de todo o tipo aos trabalhadores assentados e acampados, humilhando e provocando nas abordagens realizadas nas estradas da região;

3. Os “recados” de ameaças de prisão e de morte contra os dirigentes e militantes chegaram incisivamente. Rossoni insuflou a PM que sentiu-se livre, inclusive para matar;

4. Rossoni quer ser Senador nas próximas eleições e já teria feito acerto de apoio econômico com a Araupel, que já lhe apoio com doação de dinheiro na campanha para deputado, e em troca do novo apoio reprimiria e despejaria os sem terras;

5. A única forma possível de resolver o conflito é punir os mandantes dos assassinatos e os assassinos, e o governo federal fazer a reforma agrária nesse latifúndio assassino, grileiro, e que a justiça já deu nulidade dos falsos títulos;

6. A Secretaria de Segurança Pública emitiu nota totalmente mentirosa, afirmando que os sem terras armaram emboscada para a polícia. Tal afirmação se desmente pelo resultado do massacre, onde dois trabalhadores sem terras foram assassinados e vários feridos, o que comprova a versão inversa dos fatos, a de que os sem terras é foram vítimas de emboscada.


Maldito o soldado que vira o fuzil contra o seu povo! (Bolívar)

Justiça e reforma agrária já!

Direção Regional do MST – Região Centro do Paraná

Laranjeiras do Sul, 07 de abril de 2016


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