MSF: EUA censuram relatório oficial sobre bombardeio de hospital em Kunduz

© AP Photo / Médecins Sans FrontièresHospital do Médicos Sem Fronteiras bombardeado no norte do Afeganistão no dia de 3 de outubro, em Kunduz
Hospital do Médicos Sem Fronteiras bombardeado no norte do Afeganistão no dia de 3 de outubro, em Kunduz - Sputnik Brasil
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Os Estados Unidos estão censurando parte da investigação do bombardeio do hospital de Kunduz, no Afeganistão, para ‘higienizá-la’ para o consumo público. A afirmação é do chefe da organização Médicos sem Fronteiras (MSF) à Rádio Sputnik.

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Segundo Jonathan Whitehall, Chefe da Análise Humanitária da Médicos Sem Fronteiras (MSF), o Exército dos EUA tem um registro oficial de sua plena investigação do bombardeio do hospital de Kunduz, no Afeganistão, mas está censurando partes do documento para torná-lo aceitável para consumo público. 

As demandas por uma investigação independente não receberam nenhuma reação oficial do exército norte-americano ou do presidente dos EUA, Barack Obama. A Força Aérea dos EUA bombardeou o hospital de Kunduz em outubro, violando as regras da guerra sobre hospitais.

"O relatório completo e os resultados completos não foram tornados públicos, e a razão que nos foi dada para isso é que ele passou por um processo de edição, o que significa que ele está sendo higienizado para consumo público", disse Whitehall à Rádio Sputnik.

Os oficiais militares dos EUA responsáveis por bombardear o hospital e atirar em seus pacientes de um AC-130 sofreram punições menores ou foram temporariamente suspensos do serviço, enquanto nenhum general foi punido. 

No último domingo (3) a Organização Médicos Sem Fronteiras lembrou os seis meses do ataque sobre o hospital de Kunduz, no Afeganistão. 

Sem compensação 

O exército dos Estados Unidos se recusou a oferecer uma compensação para as vítimas do bombardeio do hospital de Kunduz, e é provável que continue sua política anterior de "pagamentos de condolências", disse Jonathan Whitehall.

"O que temos visto é que os EUA não oferecem compensações, o que eles oferecem são pagamentos de condolências, eles oferecem condolências pela perda de vidas e meios de subsistência para as famílias dos falecidos", afirmou. 

A prática de oferecer pagamentos de condolências permite que os militares dos EUA evitem reconhecer a culpa, ao fazer ganhos de relações públicas a um custo relativamente pequeno. Isto foi usado anteriormente depois que os militares dos EUA derrubaram um avião iraniano civil, e em seguida ofereceram verbas aos parentes do falecido com a condição de que eles não poderiam ser usados como prova de culpa para mais reivindicações.

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"As famílias das pessoas mortas não estão satisfeitas com o dinheiro de condolências a ser oferecido, realmente não corresponde com a gravidade dos acontecimentos, a escala da destruição, a escala da perda de vidas e os meios de subsistência para muitas das famílias", acrescentou Witthall.

O General dos EUA, John W. Nicholson, recentemente nomeado comandante das forças da OTAN no Afeganistão, emitiu um pedido de desculpas, que não foi bem recebido pelos parentes das vítimas do ataque.   

O Chefe da Análise Humanitária da MSF ainda comentou que, por seu o único Centro Traumatológico da cidade de Kunduz, como resultado do ataque dos EUA sobre o hospital, “além das mortes de colegas e pacientes, que morreram naquela noite, os moradores do Afeganistão não tiveram a possbilidade de receber ajuda médica”. Além disso, ele destaca que até hoje não foi possível restabelecer o o edifício do hospital. 

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