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O golpe viaja: As articulações do impeachment em Lisboa

© Geraldo Magela/ Agência SenadoSenador pelo PSDB, Aécio Neves
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No mesmo dia em que o povo é conclamado às ruas para defender a democracia no país, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), citado múltiplas vezes na Lava Jato, afirmou nesta quinta-feira (31), em um seminário na Universidade de Lisboa, que a presidenta Dilma Rousseff - sobre quem não pesa nenhuma acusação criminal - “perdeu legitimidade” e deve sair.

​“Qualquer que seja o desfecho desta crise, a grande verdade é que nós teremos tempos difíceis pela frente”, disse ele, participando do V Seminário Luso-Brasileiro de Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. “Não conseguiremos sair dessa crise sem traumas, mas hoje, o trauma maior será a permanência da presidente Dilma no poder”.

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Aécio seguiu destilando uma série de declarações a favor do impeachment de Dilma, mesmo sem dispor de nenhum fundamento jurídico para apoiar a tese diante de um seminário de Direito. O tucano ainda insistiu que “não existe nada que se assemelhe à um golpe de Estado” no Brasil. 

Enquanto isso, do lado de fora do seminário, manifestantes protestavam contra a articulação da derrubada ilegal da presidenta eleita, carregando faixas e gritando frases como “Golpe nunca mais” e “Golpistas fascistas não passarão”.

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O senador José Serra (PSDB-SP) também participou do encontro em Lisboa, onde defendeu a mudança do regime presidencialista para o parlamentarismo, dizendo que “no presidencialismo, mudança de governo é crise; no parlamentarismo, é solução”.

“Eu nunca acreditei que a presidente Dilma conseguisse completar o seu segundo mandato", disse ainda o senador. "Eu acredito que ela não se manterá”.

Na terça-feira (29), primeiro dia do seminário, Serra chegou acompanhado do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Ambos foram recebidos com vaias e gritos por manifestantes contra o impeachment de Dilma. 

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Já o vice-presidente Michel Temer, que seria um dos principais participantes, desistiu de viajar a Portugal para ir à reunião do PMDB na terça-feira (29), onde grande parte do partido decidiu abandonar o governo em meio à crise política. Em vez disso, Temer enviou um vídeo para ser apresentado no seminário.

O senador Jorge Viana (PT-AC), por sua vez, ressaltou em sua fala que a saída do PMDB da base governista foi uma decisão “lamentável” e fez duras críticas para “denunciar o golpe político que estão dando, rasgando a constituição da república federativa do Brasil”. 

“No Brasil, nós estamos vivendo um momento de atropelamento constitucional, e lamentavelmente o PMDB se assumiu nessa posição”, continuou o senador. “Isto é muito ruim para a institucionalidade brasileira, pois desmoraliza o país interna e externamente”.

 


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