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Espectros da Maidan: Manifestantes pedem golpe à la Ucrânia no Brasil

© Edilson Rodrigues/Agência Senado/FotosPúblicasManifestação contra Lula e Dilma
Manifestação contra Lula e Dilma - Sputnik Brasil
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Após os traumáticos eventos de ontem, com massas insufladas às ruas por instâncias coadunadas com a grande mídia, uma foto que circula nas redes sociais nesta quinta-feira (17) carrega em imagem a gravidade do perigo que a democracia enfrenta no país. Afinal, o que querem os que estão clamando, no Brasil, por uma nova Maidan?

Na Ucrânia, o ciclo de protestos centrados em torno da Praça Maidan de Kiev no final de 2013 e início de 2014 – movimento também conhecido como Euromaidan – foi comprovadamente orientado e financiado por agências norte-americanas e europeias, terminando com um golpe de Estado que levou ao poder um presidente alinhado aos interesses ocidentais.

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Dilma: Gritaria dos golpistas não vai colocar nosso povo de joelhos
Piotr Poroshenko iniciou uma ofensiva militar no sudeste do país mal havia sido empossado, fomentando uma devastadora guerra civil contra uma parte da população que se recusou a aceitar o golpe e resolveu pegar em armas para defender o direito à autodeterminação. Passados quase dois anos, o país já perdeu mais de 9 mil vidas, entre civis e soldados, segundo o último levantamento da ONU. 

Ontem, protestos tomaram as ruas em diversas cidades brasileiras após a divulgação ilegal do grampo de uma conversa telefônica entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula – que, aliás, não fornecia absolutamente nenhuma evidência de conduta criminosa por parte de nenhum dos dois.

 

Somado ao anúncio de que o líder petista voltaria ao Planalto na condição de ministro de Dilma – o que foi visto pelos manifestantes como uma forma de o ex-presidente se furtar às investigações da Lava Jato –, não faltaram manifestações de radicalização, violência e perseguição contra pessoas contrárias à pauta do impeachment.

Av. Paulista tem manifestação pró-impeachment

Grupos se reúnem na Av. Paulista para pedir impeachment de Dilma e criticar nomeação de Lula como ministro da Casa Civil. Confusão com apoiadores do governo deixou dois feridos.

Posted by CBN on Wednesday, March 16, 2016

Em Maidan, também se dizia que o movimento devia ser “sem partido”. Políticos também foram hostilizados e agredidos pelos manifestantes.

​Lá, grupos de orientação neonazista, como o Pravy Sektor (“Setor de Direita”), saíram fortalecidos e cometeram impunemente uma série de atrocidades, como o incêndio criminoso da Casa dos Sindicatos de Odessa, que matou pelo menos 48 pessoas.

 

As diferenças entre o Brasil e a Ucrânia são enormes, não há dúvidas. No entanto, em tempos de tamanha crise do Estado democrático de direito, os perigos de se ignorar o fascínio crescente pelo fim da política e pela solução armada são muito maiores. O que move os patriotas que convocam uma Maidan em Brasília? Mais que isso: quem se beneficia com a convulsão social?   

 

 

Convulsionar a sociedade brasileira em cima de inverdades, de métodos escusos, de práticas criticadas, viola princípios e garantias constitucionais, viola os direitos dos cidadãos e abre precedentes gravíssimos.

Posted by Dilma Rousseff on Thursday, March 17, 2016
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