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‘EUA levam a cabo guerra geopolítica contra China e Rússia na Bolívia’

© AFP 2021 / ODD ANDERSENPresidente bolivariano Evo Morales durante a conferência de imprensa em conjunto com a chanceler alemã Angela Merkel, Berlim, Alemanha, 4 de novembro de 2015
Presidente bolivariano Evo Morales durante a conferência de imprensa em conjunto com a chanceler alemã Angela Merkel, Berlim, Alemanha, 4 de novembro de 2015 - Sputnik Brasil
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A oposição local, incentivada pelos EUA, tentará obstaculizar a entrada das empresas chinesas e russas na Bolívia, disse no domingo (13) o presidente boliviano Evo Morales no canal televisivo Cadena A.

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O presidente boliviano deu como exemplo as acusações da oposição contra a empresa chinesa CAMC. Morales chamou os ataques contra empresas russas e chinesas de “parte da guerra geopolítica”. Desde 2006, quando Morales chegou ao poder, a presença do capital chinês no país aumentou. Este desafiou as empresas norte-americanas que, por sua vez, sofreram fortes limitações – o presidente boliviano nacionalizou a maior empresa de gás, a maior emissora do país e uma série de empresas petrolíferas, o que foi benéfico para a China. É por isso que as empresas chinesas bem como o presidente da Bolívia se tornaram alvo de ataques geopolíticos por parte dos Estados Unidos.

Na opinião do especialista russo em assuntos da América Latina, Mikhail Belyat, o presidente descreve uma situação como ela é na realidade. De acordo com ele, os norte-americanos tentam evitar que as empresas chinesas penetrem na América Latina, especialmente as empresas industriais, as com forte componente científico e capital intensivo.

“A influência das empresas norte-americanas e do Departamento de Estado dos EUA na Bolívia agora não é tão forte como foi, digamos, 20 anos atrás <…>. Mas é certo que os EUA encaram com inveja a penetração de empresas chinesas, a influência chinesa no hemisfério ocidental em geral e na América Latina, em particular”, disse Belyat.

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Pode ser que o escândalo ao redor da empresa chinesa CAMC seja uma parte da política norte-americana para restaurar a sua antiga influência na Bolívia. A oposição afirma que a empresa conseguiu assinar contratos de muitos milhões com o governo boliviano devido ao fato de que a ex-companheira de Morales, Gabriela Zapata, é diretora comercial da empresa. Morales desmentiu as informações, dizendo que não comunica com Zapata há já 10 anos e não a ajudou no trabalho.

Em 26 de Fevereiro, a polícia boliviana deteve Gabriela Zapata. O ministro dos Assuntos Internos da Bolívia, Carlos Romero, disse trata-se de acusações públicas relacionadas com o apoio ilegal à empresa chinesa, por exemplo, o envio de cartas para vários departamentos por parte do governo.

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Na opinião do especialista russo Aleksandr Kharlamenko, do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da Rússia, a empresa chinesa, com efeito, não recebeu quaisquer preferências.

“Quando a empresa violou algumas leis foi sujeita a sanções. Já antes do recente referendo, Evo Morales e o vice-presidente Álvaro García Linera declararam que todas as violações por parte da empresa foram sancionadas segundo a lei”, disse.

Kharlamenko afirmou que Gabriela Zapata não trabalha para a empresa por muito tempo. Entretanto, os seus irmãos tiveram encontros com a oposição e diplomatas norte-americanos. Provavelmente, quiseram tirar dividendos financeiros e políticos. Este escândalo, na opinião do especialista, bem como os ao redor do ex-presidente brasileiro e do vice-presidente uruguaio, foi criado do nada. É o método habitual de Washington de desacreditar e livrar-se de políticos "inconvenientes".

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