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Irmandade Muçulmana pode azedar relação entre Turquia e EUA

© AFP 2021 / ADEM ALTANO presidente (esquerda) e o primeiro-ministro (direita) turcos, Recep Tayyip Erdogan e Ahmet Davutoglu, em 29 de outubro de 2015 no mausoléu de Mustafá Kemal Ataturk
O presidente (esquerda) e o primeiro-ministro (direita) turcos, Recep Tayyip Erdogan e Ahmet Davutoglu, em 29 de outubro de 2015 no mausoléu de Mustafá Kemal Ataturk - Sputnik Brasil
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A relação entre EUA e Turquia pode ser revisada ao Washington reconhecer a Irmandade Muçulmana como uma organização terrorista, disse um deputado turco.

O deputado do Partido Republicano Popular (CHP, na sigla em turco) Erdogan Toprak apresentou o relatório semanal do parlamento turco sobre assuntos da agenda política atual.

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No relatório, Toprak fez previsões sobre a política externa do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no poder) e comentou algumas declarações dos mandatários do país.

A principal previsão é esta: se os EUA reconhecerem a organização islamista Irmandade Muçulmana (que fora um participante ativo dos confrontos em 2011 no Egito), a Turquia pode reagir com nova onda de tensão nas relações bilaterais. Recentemente, o presidente e o primeiro-ministro turcos, Recep Tayyip Erdogan e Ahmet Davutoglu, têm criticado os EUA por causa do apoio que Washington presta aos curdos sírios no seu combate ao grupo terrorista Daesh.

Ancara não reconhece os curdos como uma força legítima, por causa de uma tensão interna que dura bastante tempo.

Contudo, Ancara foi lenta em reconhecer o Daesh e Frente al-Nusra como grupos terroristas, nota o relatório. Toprak cita os fatos: a Frente al-Nusra foi incluída na lista de organizações terroristas da Turquia depois do atentado em Reyhanli, e o Daesh foi reconhecido como uma ameaça terrorista à própria Turquia depois do atentado em Suruc, ambos em 2015.

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Mais do que isso, o relatório sublinha que o AKP tem, durante os últimos 14 anos que está no governo, prestado apoio às forças que o resto do mundo considerava como terroristas. Os exemplos listados: ajuda à mencionada Irmandade Muçulmana (reconhecida como organização terrorista no Egito), ao Hamas (reconhecido como tal por Israel), apoio aos islamistas radicais na Líbia, cooperação com o Daesh, a Frente al-Nusra, o Ahrar al-Sham e o Exército Livre da Síria (reconhecidos como grupos terroristas por Damasco).

E contudo, frisa o oposicionista Toprak, o governo turco acusa os curdos, inclusive os curdos sírios, de terrorismo (sem, porém, apresentar acusações oficiais).

Em 25 de fevereiro, a Comissão da Justiça da Câmara dos Representantes dos EUA reconheceu a Irmandade Muçulmana como uma organização terrorista. Segundo o relatório de Toprak, "a dupla Erdogan-Davutoglu, famosa pelo seu apoio ativo da Irmandade Muçulmana, estará na situação de apoiante de uma organização terrorista", o que minará as relações internacionais.

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