A libertação de Aleppo: o que a mídia ocidental não quer mostrar

© REUTERS / SANAResidents of Nubul and al-Zahraa, along with forces loyal to Syria's President Bashar al-Assad, celebrate after the siege of their towns was broken, northern Aleppo countryside, Syria, in this handout picture provided by SANA on February 4, 2016
Residents of Nubul and al-Zahraa, along with forces loyal to Syria's President Bashar al-Assad, celebrate after the siege of their towns was broken, northern Aleppo countryside, Syria, in this handout picture provided by SANA on February 4, 2016 - Sputnik Brasil
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Ao comentar a situação de Aleppo, na Síria, o experiente jornalista francês e analista geopolítico Jean-Michel Vernochet afirma que só após a operação aérea russa veio à tona a duplicidade da coalizão internacional contra o Daesh.

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Em uma análise para o jornal independente Boulevard Voltaire, vernochet falou sobre os esforços do exército sírio para libertar Aleppo, a segunda maior cidade do país, e atacou a imprensa americana e europeia pelo que classificou como posição altamente ambígua.

No dia 1º de fevereiro, lembrou o jornalista, “o exército sírio, com apoio da aviação russa, lançou uma operação de larga escala para libertar Aleppo, antiga capital econômica da Síria,” que “está nas mãos da rebelião desde 2012.”

“Como sempre, a imprensa começou a escrever efusivamente sobre as multidões de pessoas fugindo dos combates e o avanço das forças do governo. A única coisa faltando naquele cenário eram as imagens dos moradores dos bairros ocidentais da cidade, que deram as boas vindas às tropas do governo e as consideraram como libertadoras.”

 

“Moradores de uma cidade xiita nos arredores de Aleppo festejam os soldados de Assad. As pessoas estão cansadas da guerra”, diz o tweet acima.

“Profundamente emocionado” pelas fotos exibidas na mídia ocidental, “o secretário de Estado americano, John Kerry, imediatamente exigiu que a Rússia parasse de bombardear alvos civis.”

Mas “a verdade”, diz Vernochet, “é muito mais prosaica porque se a cidade de Aleppo está completamente cercada pelas forças do governo, o corredor de fornecimento dos rebeldes à Turquia está fechado.” 

“Basta dizer agora que a rebelião corre o risco de colapso total, especialmente depois de 4 de fevereiro, quando o exército sírio conseguiu quebrar o bloqueio de duas pequenas cidades xiitas - Nubl e Zahraa - cercadas por islamistas desde 2012, com moradores recebendo soldados leais com chuvas de arroz e flores. Isso também significa que até 5 mil milicianos xiitas podem estar prontos para se juntarem à retomada de Aleppo.”

 

Festejos em Zahraa e Nubl, em Aleppo, após forças sírias e aliados encerrarem o cerco de três anos e meio nas cidades.

“Vale apontar”, reforçou o jornalista, “que foi preciso uma intervenção russa na guerra para finalmente jogar uma luz na duplicidade da coalizão ocidental-árabe contra o Daesh. Por um lado, os governos ocidentais choram lágrimas de crocodilo por causa de naufrágios no Mar Egeu, enquanto ao mesmo tempo abrem as portas da Europa para refugiados dos quais 60%, diz o relatório da Frontex, não têm justificativa para pedir asilo. Por outro lado, fecham seus olhos para o jogo duplo de Ancara na Síria ao lado dos ‘terroristas moderados’, nas palavras do Sr. Kerry.”

Syrian government forces' tanks drive in the village of Tal Jabin, north of the embattled city of Aleppo, as they advanced to break a three-year rebel siege of two government-held Shiite villages, Nubol and Zahraa, and take control of parts of the supply route on February 3, 2016 - Sputnik Brasil
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Em sua análise final, Vernochet ressalta que “a ofensiva do governo e a previsível derrota dos rebeldes são uma dura derrota para a Turquia, que hoje se recusa cinicamente a abrir suas fronteiras para aqueles que fogem de Aleppo. A posição pode estar ligada ao grande sonho do Sultão Erdogan de estabelecer uma zona tampão no território sírio, onde os refugiados seriam confinados.”

Tal zona tampão, afirma Vernochet, significaria a presença de forças turcas em solo sírio e a criação de uma zona de exclusão aérea. De lá, sob a proteção da OTAN, a Turquia conseguiria executar um guerra sangrenta contra os curdos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão).

Vernochet afirma que, desta forma, “os refugiados se tornam um poderoso instrumento para chantagear a OTAN e a União Europeia (sem contar os 3 bilhões de euros dedicados a Ancara) a autorizarem uma operação em solo envolvendo forças especiais sauditas.”

Ainda é incerto como a OTAN responderá se, na hipótese de uma invasão turca na Síria, o exército de Assad, apoiado pela aviação russa, parar a ofensiva turca e contra-atacar em território turco.

 

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