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Embaixador russo na Síria: ‘O tempo joga contra a oposição’

© AFP 2021 / StringerSírios celebram a quebra do cerco da cidade de Zahraa, Aleppo, Síria, 4 de fevereiro de 2016
Sírios celebram a quebra do cerco da cidade de Zahraa, Aleppo, Síria, 4 de fevereiro de 2016 - Sputnik Brasil
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O embaixador russo na Síria, Aleksander Kinschak, falou à Sputnik sobre o papel da Rússia na resolução da crise síria, as razões do congelamento das negociações em Genebra e as perspectivas das relações econômicas russo-sírias.

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O embaixador frisou que as negociações de Genebra não deram certo por causa dos obstáculos causados por aqueles que estavam contra a resolução política da crise. Foi a operação russa que impulsionou os contatos entre os governos interessados.

“Antes da nossa operação, a situação político-militar não se desenvolvia a favor de Damasco… Parecia que teríamos um cenário em que a oposição armada venceria e o regime atual seria derrubado pela força”. Após o início da operação russa, disse, o equilíbrio de forças mudou cardinalmente, já que muitos viram que eram possíveis outras variantes de resolução da crise. 

Como resultado, apareceu a Resolução 2254 do Conselho de Segurança, segundo a qual é preciso atingir um cessar-fogo. No entanto, o embaixador destacou que o cessar-fogo não deve abranger o combate aos terroristas.

“Ao contrário, todos os sírios devem começar a lutar contra o Estado Islâmico, Frente al-Nusra e estruturas parecidas, se elas forem reconhecidas como terroristas. No momento, na lista das organizações terroristas estão somente duas, mas os trabalhos continuam”, afirmou Aleksander Kinschak.

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Entre outras disposições da resolução incluem-se questões humanitárias e reformas políticas, incluindo a alteração da constituição e realização de eleições. No entanto, o embaixador assinalou que são os sírios que devem tomar as decisões, a comunidade internacional deve só os apoiar a chegar a acordo. Infelizmente, a primeira tentativa em Genebra não teve sucesso. A Rússia espera que, até o encontro em Munique em 11 de fevereiro, os parceiros entendam qual a melhor atitude e façam com que os opositores por eles patrocinados se sentem à mesa das negociações.

Quanto à oposição síria, não pode encontrar um líder: há um comité formado por Riad, ativistas e organizadores dos encontros no Cairo e Moscou, opositores-emigrantes. Além disso, não se pode ignorar a opinião dos curdos. No entanto, a maior razão do congelamento das negociações é a falta da vontade por parte do governo sírio de negociar com eles. 

Ao mesmo tempo, representantes do Jaysh al-Islam e Ahrar al-Sham foram convidados a participar das negociações.

“Acho que tal foi feito intencionalmente para a delegação do governo sírio se recusar a contatar com eles, pois se sabia com antecedência que Damasco não desejava lidar com terroristas”.

Aleksander Kinschak sublinhou que o exército do governo sírio continuará o seu avanço bem-sucedido e que, por isso, os que estão do lado dos militantes devem entender que o tempo joga contra eles. Damasco não vai partilhar o poder com aqueles que vençam no campo de batalha. 

No entanto, o embaixador considera que tal desenvolvimento da situação não assegurará a paz douradora no país. 

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O embaixador russo também abordou o assunto da reconstrução pós-guerra no país, notando que para isso serão necessárias dezenas de anos e bilhões de dólares de investimentos.

Segundo ele, as empresas russas estão interessadas em muitos projetos, por exemplo, em Latakia foi aberto um centro econômico para aperfeiçoar as operações de exportações e importações, embora não se possa considerar a Rússia como o patrocinador principal.

Quanto à ajuda humanitária, a Rússia continuará os seus esforços. Além disso, a Síria já destinou um lote de terra em Damasco para construir uma escola russa.

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