Cúpula da CELAC: As falas mais marcantes dos líderes latino-americanos

© AFP 2022 / Juan CevallosPresidente da Venezuela, Nicolas Maduro, levanta uma rosa enquanto posa com outros chefes de Estado e representantes para a foto oficial da IV Cúpula da CELAC, em Quito.
Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, levanta uma rosa enquanto posa com outros chefes de Estado e representantes para a foto oficial da IV Cúpula da CELAC, em Quito. - Sputnik Brasil
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Na Cúpula da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) realizada nesta quarta-feira (27), no Equador, o tom geral dos discursos proferidos pelos chefes de Estado presentes ressoou um apelo comum à cooperação regional como melhor forma de resistência aos desafios econômicos, sociais e políticos da contemporaneidade.

Confira, a seguir, as passagens mais marcantes das falas de alguns dos principais líderes da América Latina e do Caribe.

Dilma Rousseff

A presidenta do Brasil defendeu a integração entre os países da CELAC para enfrentar a crise econômica mundial.

​“O Brasil não conseguirá restabelecer as suas condições sustentáveis de crescimento, nesse novo contexto internacional, sem o crescimento dos demais países da América Latina. Sem que os demais países da América Latina tenham também condições de se recuperar”, afirmou Dilma.

​Além disso, ela também propôs uma ação de cooperação regional para combater o vírus da Zika e microcefalia. Em entrevista coletiva concedida após seu discurso, Dilma ressaltou que, para tratar dessa questão, haverá uma reunião do Mercosul em Montevidéu, no Uruguai, na próxima terça-feira (2), bem como uma reunião específica entre os ministros da Saúde da CELAC, também na próxima semana. 

​Rafael Correa

Anfitrião da Cúpula, o presidente do Equador abriu os discursos do dia criticando o domínio dos mercados financeiros sobre o bem-estar dos povos e ressaltando que a sociedade não pode ser tratada como uma mercadoria.

“Devemos ser sociedades com mercado, não sociedades de mercado, onde vidas, pessoas e a própria sociedade se convertem em uma mercadoria a mais em função da ‘inteligência’ do mercado”, apelou Correa.

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​Neste sentido, ele destacou que “o trabalho humano tem valor ético” e “não é um meio de produção e sim o fim mesmo da produção”, defendendo que os países latino-americanos devem “reduzir o sacrifício dos trabalhadores no capitalismo, evitar a concorrência e fomentar a igualdade”.

Além disso, o líder equatoriano também falou sobre a crise econômica mundial e os impactos da queda dos preços do petróleo, que, até o ano passado, representavam 50% das divisas que entravam no país.

"O declínio dos preços do petróleo prejudica a todos, não apenas os países exportadores (…) No longo prazo, isso prejudica todo o planeta", advertiu Correa.

Danilo Medina

Nesta quarta-feira (27), o líder da República Dominicana recebeu do Equador a presidência temporária da CELAC.

​"A CELAC tem sido capaz de transmitir um discurso diferente, contra aqueles que queriam vestir o mundo com um pensamento único", disse ele, afirmando que seu país fará todo o possível “para que a CELAC seja um espaço ainda mais integrado, mais operativo e mais reconhecido”.

Nicolas Maduro

O presidente da Venezuela, que recentemente declarou estado de emergência econômica em seu país, também apelou à união entre os Estados para enfrentar a crise na economia, sugerindo a criação de um “plano tático anticrise econômica” na região.

​"Em tempos de crise, as comunidades, os vizinhos e as famílias se procuram para se ajudar, para se apoiar entre si (…). Chegou a hora, pois, de um plano de solidariedade, de complementaridade, de desenvolvimento compartilhado da América Latina e do Caribe", exortou o mandatário venezuelano.

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​Além disso, o líder chavista ratificou sua solidariedade com a luta de Buenos Aires pela soberania sobre as ilhas Malvinas, abstendo-se de atacar o atual governo de direita na Argentina.

Na semana passada, Maduro foi destaque na imprensa argentina devido às duras críticas endereçadas ao presidente do país, Mauricio Macri, que, posteriormente, alegou motivos de saúde para anunciar que não iria à Cúpula da CELAC em Quito. No seu lugar, compareceu a vice Gabriela Michetti.

Michelle Bachelet

A chefe de Estado do Chile recordou que "a América Latina continua sendo a região com maior desigualdade, com uma pobreza de 28% e onde persiste uma altíssima precariedade e informalidade laboral”. 

​Diante dos desafios comuns, ela ecoou o chamado a uma maior integração regional.

"Para o Chile é central avançar na integração regional a partir de um enfoque de convergência na diversidade, que privilegie as coincidências e promova a articulação de consensos sobre as questões em que há complementaridade", disse Bachelet.

​Evo Morales

O presidente da Bolívia exortou os líderes da CELAC a fortalecer a unidade entre os governos “anti-imperialistas e anticapitalistas” para libertar os povos do continente latino-americano.

​"A Bolívia foi o último país na América do Sul. Agora, na Bolívia, não dominam mais os Estados Unidos nem o FMI [Fundo Monetário Internacional]", declarou o chefe de Estado.

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