Medo de altura: Por que Macri vai a Davos, mas não ao Equador?

© AFP 2022 / Eitan Abramovich Mauricio Macri, presidente de Argentina
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Criticado pelo líder venezuelano Nicolás Maduro, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, alegou motivos de saúde e anunciou que não irá ao Equador para a Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), apesar de ter acabado de voltar de uma viagem bastante ativa a Davos, na Suíça.

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Segundo comunicou a Casa Rosada no domingo (24), a vice-mandatária Gabriela Michetti irá a Quito no lugar do presidente. A informação oficial é de que o secretário-geral da Presidência da República, Fernando de Andreis, recebeu uma carta assinada pelo diretor da Unidade Médica Presidencial recomendando que Macri evite se deslocar até à capital do Equador devido a um traumatismo torácico sofrido pelo chefe de Estado em 8 de janeiro.

Segundo os médicos, o traumatismo impõe a necessidade de desencorajar, momentaneamente, qualquer viagem a lugares que estejam a 2.400 metros ou mais de altura em relação ao nível do mar. 

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Quito, que sediará a Cúpula da CELAC na próxima quarta-feira (27), fica a uma altura média de 2.700 metros. No entanto, Macri esteve na quarta, na quinta e na sexta-feira passadas participando ativamente do Fórum Econômico Mundial em Davos, que, curiosamente, é a cidade mais alta da Europa, a cerca de 1.600 metros acima do nível do mar. 

A "recomendação médica" parece mais significativa e mais conveniente quando se observa que o anúncio da Casa Rosada sobre a ausência do presidente argentino na Cúpula da CELAC foi feito logo após terem circulado, na imprensa argentina, notícias sobre as duras críticas do presidente venezuelano Nicolas Maduro contra Macri, a quem acusou de agredir a Venezuela e de tentar quebrar a unidade da América Latina. 

"Ou nos respeitamos a todos ou se acabam as regras do jogo nesta batalha pela nova América e pela nova história. Assim eu digo ao presidente da Argentina, que vem atacando a Venezuela", disse Maduro, dando uma prévia de como se posicionaria na reunião de líderes da América Latina e do Caribe, em Quito.

Em comentários televisionados na noite de sábado (23) em Caracas, Maduro disse ainda que as “regras do jogo” devem ser recuperadas “com base em um grande diálogo”, e que iria propor suas ideias na Cúpula da CELAC.

"Vou com tudo à Cúpula da CELAC em Quito, ninguém vai me calar. Vou com todas as verdades e que o espírito de união na diversidade seja respeitado. Não vou aceitar abusos de ninguém lá", afirmou o presidente venezuelano, em clara alusão a Macri.

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Especula-se, portanto, se o líder argentino resolveu usar uma desculpa médica para se ausentar da reunião e evitar um confronto cara a cara com Maduro. De qualquer forma, sua imagem diante da oposição já está fragilizada no que diz respeito à sua disposição ao diálogo. Ontem (24), organizações de direitos humanos da Argentina expressaram preocupação pelo fato de o presidente ter se recusado a recebê-las. 

Segundo relatou ao jornal Tiempo Argentino a líder das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, Macri se recusou a receber a organização por meio de uma carta, na qual alegou não ter tempo para “atividades múltiplas” e delegou o encontro ao seu chefe de Gabinete. 

A recusa gerou preocupação e críticas, dado ser a primeira vez em 30 anos de democracia que um presidente se recusa a receber os representantes da luta pelos direitos humanos, segundo ressaltou o jornal argentino.

"Estamos vivendo momentos muito duros, perturbadores, vemos muitos comportamentos agressivos que vão se incorporando ao cotidiano. Tudo está nos deixando um gosto de um terrível autoritarismo que despreza o povo", advertiu Carlotto.

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