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Brasil oferece ajuda à Colômbia no momento do acordo de paz com as FARC

© REUTERS / Alexandre MeneghiniPresidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (esquerda), presidente de Cuba, Raul Castro (centro), e líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri (direita)
Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (esquerda), presidente de Cuba, Raul Castro (centro), e líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri (direita) - Sputnik Brasil
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O Governo brasileiro ofereceu ajuda à Colômbia e está disposto a enviar especialistas das Forças Armadas para treinar militares colombianos a identificar e desarmar minas terrestres que proliferam no país após mais de 50 anos de combates entre o Governo e as FARC, que já deixaram mais de 220 mil mortos.

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O assunto será discutido durante a Cúpula da CELAC – Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, que se realizará em Quito, na quarta-feira, 27, com a presença da Presidenta Dilma Rousseff e de dirigentes de 33 países.

A oferta do Governo brasileiro foi precedida, no ano passado, pelo primeiro envio de militares brasileiros a Bogotá, para capacitação de militares colombianos nas operações de desarmamento.

Embora a assinatura do acordo esteja prevista para 23 de março, ainda há diversas questões a serem resolvidas. Uma das mais difíceis até agora é a exigência feita pelas FARC para a desmobilização das forças paramilitares que agem no país desde 1990, a entrega do armamento e a criação de territórios em que os guerrilheiros possam se instalar após a assinatura do acordo.

O Congresso colombiano aprovou recentemente a criação de um referendo para um plesbicito popular que ocorrerá três meses após a assinatura do acordo, que, para ser legitimado, terá que contar com o apoio de 13% da população.

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Não está prevista anistia para crimes de lesa-humanidade, embora delitos de menor gravidade cometidos por militares, policiais e guerrilheiros possam ser perdoados para que se esclareçam os fatos ocorridos durante os conflitos. Penas para delitos graves vão variar de dois a oito anos. Outra proposta é a criação de um órgão para buscar pessoas desaparecidas (estima-se um total de 22 mil) e de uma “comissão da verdade”.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), Diogo Dario, especialista em estratégias em políticas latino-americanas, essa cooperação é fundamental.

"Embora limitadas em sua expansão e na venda de um projeto político, as FARC ainda têm uma capacidade de defesa muito forte em algumas regiões, e não existe a possibilidade de que o Governo consiga eliminá-las militarmente ao longo dos próximos anos. Além disso, existe hoje uma geração de guerrilheiros que está em ação desde o início dos combates e que vê o processo de negociação como a última chance de entrarem efetivamente na vida política".

O Professor Dario diz ainda que a maior parte dos atuais comandantes tem planos de ingressar na vida partidária a partir do ano que vem:

"Desde 1984, as FARC tinham um braço político no Parlamento, um partido oficial, a União Patriótica, que foi reativado recentemente, tendo em vista justamente a retomada do processo de negociação."

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