Presidenciável quer acabar com ‘ganância voraz dos ricos’

© AFP 2022 / FRANCISCO LEONGManifestação comunista em Lisboa
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Curiosamente, o candidato do Partido Comunista à Presidência portuguesa Edgar Silva, 53 anos, é formado em Teologia e foi padre católico antes de ser comunista.

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Nascido na ilha da Madeira, onde é conhecido como padre Edgar, foi professor de Teologia na Universidade Católica Portuguesa, delegação do Funchal.

Hoje é deputado na Assembleia Legislativa da Madeira. 

Em 1997 comunicou ao bispo do Funchal a sua desvinculação da Igreja e, nesse mesmo ano, inscreveu-se no PCP. 

Em 1998, em uma entrevista ao “Militante”, questionado porque abandonou a Igreja e aderiu ao PC, Edgar Silva afirmou: 

“Não renunciei a opções fundamentais, nem a valores assumidos e com os quais me identifico. O desejo de uma Nova Humanidade persiste como objectivo orientador das opções ao nível pessoal. A atual opção político-partidária relaciona-se com a vontade de contribuir para a edificação da Democracia”.

Em campanha

Nesta última semana de campanha eleitoral, Edgar Silva tem percorrido algumas vilas e cidades da Margem Sul do Tejo (Palmela, Cruz de Pau, Almada, Barreiro), área considerada como bastião dos comunistas em Portugal.

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Nos comícios e intervenções em que participou, o candidato diz ser defensor dos “valores de Abril, da solidariedade, da liberdade, da democracia, da paz".

"Há uma candidatura que é a candidatura de Abril, a minha, a nossa candidatura!",

"Tenho encontrado tantas e tantas pessoas com uma generosidade e um coração enorme, uma vontade de defender estas causas de Abril. Aprendi tanto convosco ao longo deste tempo, a ouvir, a abraçar, a escutar cada história, a ver cada rosto e em cada rosto uma história", disse Edgar Silva no dia 18, em uma ação de rua em Alpiarça.

"Esta é a candidatura da esperança e não podemos deixar parar a história que começou a 4 de Outubro (ed: data das legislativas, onde a esquerda obteve a maioria), uma esperança que tem de ter continuidade, na defesa dos direitos dos trabalhadores", disse ele ontem (21) no Seixal.

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A pobreza é um dos temas escolhidos pelo candidato.

"Em Portugal um terço das pessoas são pobres, 3 milhões e, desses, 40% são trabalhadores. Isto é inadmissível e intolerável", sublinhou no passado dia 18 em Palmela.

"É preciso ir às causas estruturais, às raízes dos problemas. Não chega chorar e dizer 'ai, que pena, é pobre, ai que pena, tanta miséria', não basta constatar e ter pena, quando até parece que dá jeito a alguns. É preciso agir e é essa ação que distingue esta candidatura"

Há que ultrapassar este "fosso dramático de clivagem social" que resulta da "ganância voraz deste 1% de ricos".

Sobre as diferenças da sua candidatura em relação aos restantes adversários, Edgar Silva sublinhou, em um comício em Almada, realizado ontem (20):  

“Quem, senão a nossa candidatura, defende os direitos à saúde, à educação e à segurança social? Quem, senão nós, garantirá plenamente a Constituição laboral e os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores portugueses? Que candidatura que não a nossa assume a afirmação soberana do nosso País?” 

O presidente da República “deveria ter a obrigação de estar próximo e apoiar os anseios e aspirações dos trabalhadores e do povo, para promover o progresso social”.

Edgar Silva denunciou as tentativas de "mutilação" da Constituição: "Na última revisão constitucional até quiseram acabar com a figura das comissões de trabalhadores", disse ele.

Edgar Silva prometeu, se vier a ser eleito, "nunca trair os trabalhadores e trabalhadoras de Portugal".

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Há três dias, quando os jornalistas lhe perguntaram qual a sua posição sobre a vinda de mais uma delegação da troika (Comissão Europeia, BCE e FMI), no próximo dia 27 de janeiro, para avaliar o chamado “programa de ajustamento”, ou seja, a austeridade que levou a grandes cortes nas áreas sociais por parte do anterior governo, Edgar Silva afirmou: 

"Já é tempo de Portugal e os seus órgãos de soberania terem direito à autodeterminação e à sua afirmação própria. Chega de subserviência e do vergar de espinha aos interesses que não são os do nosso país (…) Tudo quanto procure vulnerabilizar vínculos de trabalho e atente contra os direitos dos trabalhadores, não hesitarei em usar todos os poderes como Presidente da República, incluindo o poder de veto, para impedir que sejam usurpados direitos dos trabalhadores em Portugal". 

Contatado pela Sputnik, Edgar Silva fez-nos chegar por escrito a sua posição quando às questões centrais defendidas pelos comunistas nesta eleição: 

"As eleições presidenciais assumem na actual fase da vida política nacional uma particular importância. Após 10 anos de um Presidente da República que esteve ao lado do programa de exploração, empobrecimento e usurpação da soberania nacional, assegurar a derrota do candidato do PSD/CDS (Marcelo Rebelo de Sousa) e garantir o respeito e cumprimento da Constituição da República Portuguesa constitui o objectivo a que a minha candidatura dará uma contribuição decisiva. Não me cabendo ajuizar em concreto a acção do actual governo, reafirmo que, comigo na Presidência da República serão sempre os interesses dos trabalhadores do povo e do país que serão colocados em primeiro lugar".

As eleições presidenciais terão lugar em Portugal em 24 de janeiro. São dez os candidatos oficiais: Paulo Morais (independente), Edgar Silva (Partido Comunista Português), Henrique Neto (independente, ex-socialista), Marisa Matias (Bloco de Esquerda), Maria de Belém (Partido Socialista), António Sampaio da Nóvoa (independente, ex-reitor da Universidade de Lisboa, área do Partido Socialista), Jorge Sequeira (psicólogo, investigador e professor universitário), Cândido Ferreira (médico, independente, área do Partido Socialista), Vitorino Silva (popularmente conhecido como Tino de Rans, calceteiro e antigo presidente de Junta de Freguesia pelo PS) e o favorito deste momento, Marcelo Rebelo de Sousa (apoiado pelo Partido Social Democrata e Partido do Centro Democrático Social).

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