Sobreviventes dos atentados de Paris tentam retribuir o 'herói esquecido do Bataclan'

© REUTERS / Christian HartmannTrês sobreviventes se dão um abraço fora da sala de concertos Bataclan, onde tinha acontecido um ataque com fuzil automático
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Passados pouco mais de dois meses desde a série de atentados terroristas que abalaram Paris em 13 de novembro de 2015, sobreviventes e envolvidos na tragédia continuam lutando para que atos de coragem e bravura daquela noite não sejam esquecidos e recebam uma devida homenagem por parte da sociedade e das autoridades da França.

Essa é a história de Didi, argelino de 35 anos que no momento dos ataques trabalhava como vigia no teatro Bataclan, local em que os terroristas fizeram uma enorme quantidade de reféns, assassinando à queima roupa mais de uma centena de vítimas.

Didi foi responsável por avisar e conseguir evacuar através das saídas de emergência dezenas de pessoas que estavam dentro do teatro no momento da invasão. Considerado um "herói esquecido do Bataclan", a sua coragem pode ser devidamente recompensada através de uma petição de 30 mil assinaturas que pedem a sua naturalização na França.

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Entrevistado pela Sputnik, Didi contou que não fazia ideia da existência desta petição e que a mesma foi foi criada por uma organização social totalmente desconhecida a ele. Segundo ele, o documento foi assinado, entre outros, por pessoas e parentes de pessoas ajudadas ou salvas por ele naquele noite, e que que muitas delas o procuraram através das mídias, chegando a encontrá-lo pessoalmente para o agradecer pelos seus atos.

Didi disse ainda que, inicialmente, a iniciativa havia sido criada somente como uma "petição para atribuição da Ordem da Legião de Honra", o pedido de naturalização vindo a ser incluído posteriormente neste documento.

"De início eu nem entendi e fiquei muito impressionado, já que não havia pedido nada a ninguém. Além disso, para mim, a naturalização não é uma prioridade, já que tenho documentos oficiais" – disse.

Comentando a sua atuação naquele trágica noite, Didi alertou ainda para o fato de que policiais e seguranças convencionais não dispõem de recursos, de armamentos necessários para combater terroristas determinados em levar a vida de um máximo número de pessoas, e que para combater um mal como este é sempre necessária a intervenção de militares ou batalhões de operações especiais.

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Outro tema abordado por Didi foi a iniciativa das autoridades franceses em destituir de cidadania francesa pessoas envolvidas com terrorismo e acusadas de extremismo.

"Creio que tirar a cidadania de terroristas, como os que invadiram Bataclan, não levará a nada. Afinal, eles decidiram morrer. Mas, se a medida for previamente aplicada àqueles que estão ligados à rede terrorista, então ela faz sentido. Ao mesmo tempo, se essa medida se tornar "exclusiva", ela não deve se transformar em medida comum [posteriormente]" – disse Didi.

"Essas pessoas não merecem a cidadania francesa. Por um simples motivo – elas não aceitam os valores fundamentais da França, não aceitam os valores republicanos" – concluiu o herói argelino.

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Os atentados terroristas em Paris, em 13 de novembro, resultaram na morte de 130 pessoas e em mais de 360 feridos. A responsabilidade pelo ataque foi assumida pelo grupo terrorista Daesh (Estado Islâmico).

O presidente francês, François Hollande, disse que o incidente representa um marco, a partir do qual a França, e a Europa toda, entraram "em guerra" contra o Daesh.

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