Opinião: novas sanções dos EUA contra o Irã são eleitoreiras

© AP Photo / Carlos BarriaAs bandeiras nacionais dos EUA e do Irã
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No fim de semana, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que o Irã cumpriu as obrigações em relação ao seu programa nuclear. As sanções contra o país foram retiradas. Um dia após o fim do embargo que puniu o Irã por dez anos, os EUA adotaram novas sanções contra o país, desta vez, em função do programa de mísseis balísticos.

O Irã classificou as novas sanções de ilegítimas.

Departamento de Tesouro dos Estados Unidos, em Washington DC - Sputnik Brasil
EUA impõem novas sanções ao Irã
Em entrevista exclusiva para Sputnik Brasil, o Professor de História e Relações Internacionais da UFF — Universidade Federal Fluminense — Cláudio Esteves Ferreira, explicou que o Irã realizou testes de mísseis em outubro de 2015. Em dezembro, a imprensa americana noticiou que os Estados Unidos já estariam na iminência de adotar essas sanções. O professor acredita que elas só foram aprovadas agora, e não naquela ocasião, para não prejudicar o acordo nuclear.

Cláudio Esteves explicou que os Estados Unidos, para defender as novas sanções, alegaram uma resolução do Conselho de Segurança, que proibia o Irã de realizar testes com mísseis. Sob esse ponto de vista portanto, não haveria nenhuma ilegitimidade, porque, em tese, haveria respaldo de uma resolução da ONU. 

“A primeira impressão: a posição do governo Obama diz respeito a uma questão eleitoral. Alguns candidatos disseram que a implementação do Acordo Nuclear foi uma vergonha, já que os EUA colocaram US$ 100 bilhões na mão do maior financiador do terrorismo mundial. E também há uma espécie de satisfação, de uma acomodação com aliados importantes no Oriente Médio, que são Arábia Saudita e Israel.”

Segundo o especialista, os Estados Unidos estão buscando recompor uma base de aliados, que foi estremecida em função da aprovação do Acordo Nuclear. Claudo Esteves destaca que a Arábia Saudita e o Israel foram os países que mais se opuseram à aprovação desse acordo. 

“No caso da Arábia Saudita, porque trouxe o Irã a um protagonismo na ordem regional do Oriente Médio. O Irã estava banido pela Ordem Internacional, então a volta do Irã, seu anúncio de pretender comprar ou estudar a compra de mais de 140 aviões da Airbus, isso já é um sinalizador de uma maior integração econômica. Isso pode facilitar também possíveis relações políticas, e a Arábia Saudita agora vê no Irã um potente rival, principalmente no que diz respeito à venda de Petróleo.”

Apesar da tensão existente entre Irã e Arábia Saudita, o professor não acredita num confronto armado entre os dois países. 

“Eu não acredito. Eu penso que essas rivalidades, tal como são postas, possuem uma importante finalidade, são voltadas para o público interno.  Para uma acomodação das tensões internas. O velho truque de criar um conflito externo para apaziguar os ânimos no cenário interno.”

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