‘Meu amigo foi morto na Síria’

© AFP 2022 / LOUAI BESHARASoldado de forças pro-governamentais sírias fica perto de entrada para a cidade de Aleppo, Síria, 14 de janeiro de 2016
Soldado de forças pro-governamentais sírias fica perto de entrada para a cidade de Aleppo, Síria, 14 de janeiro de 2016 - Sputnik Brasil
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O iraniano chamado Hamid Dervishi Shahkalaei contou à Sputnik a história da sua amizade com o soldado do Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica, Hamidreza Asadollahi, que morreu na batalha com terroristas na Síria em 2015.

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Segundo os dados oficiais, o Irã envia à Síria e ao Iraque oficiais do Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica (EGRI). Os soldados que morreram na batalha são chamados de shahid, palavra que significa “mártir” e é usada para designar combatentes que deram a vida pelo seu país.

“Agora, quando ele já não fica conosco, entendo que éramos amigos e não simplesmente conhecidos. Trabalhamos em conjunto por algum tempo na área legal. Brincava muito e gostava de caçoar dos seus amigos. No ano passado faleceu.

Aproximava-se o Arbaeen (dia de luto após 40 dias da morte do imã Husayn ibn Ali), bem como a viagem de peregrinação para [a cidade de] Karbala. <…> Discutíamos a peregrinação com Hamidreza, ele também queria ir a Karbala. Combinamos encontrar-nos ali. <…> Ninguém podia prever que seria o nosso último encontro… Quando telefonei a ele em Karbala ninguém respondeu, e eu fiquei um pouco surpreendido. Hamidreza sempre respondia. Não consegui falar com ele nos dias seguintes. Fiquei preocupado mas ninguém dos seus familiares e amigos comuns que eu contatava não sabia sobre o seu destino.

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Quando voltamos do Iraque os seus familiares disseram-me que Hamidreza está na frente na Síria. Aconteceu que foi um basij (soldado da milícia iraniana composta de voluntários jovens estabelecida pelo aiatolá Khomeini em novembro de 1979 – red.), devia cumprir as ordens de comandantes, mas naquele momento o seu segundo filho tinha somente 2 anos de idade…

Hamidreza só comunicava com o seus familiares. Telefonava da base de treinamento e depois de um mês já da linha de frente, frente onde naqueles tempos se realizavam batalhas violentas. <…> falava um bom árabe local. Sempre parecia-me que é uma grande vantagem falar árabe, mas quando imaginei Hamidreza na linha de frente, cara a cara com o inimigo e que o seu bom árabe foi o culpado disso…

Durante alguns dias a sua morte não foi confirmada. Depois se tornou conhecido que foi ligado a batalhas prolongadas, ninguém podia prestar informações. Mas finalmente receberam o atestado de óbito. A vida de Hamidreza terminou em qualquer lugar perto de Aleppo.

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Sempre caracterizou-se por atos corajosos. <…> Ficou na nossa memória como um homem honesto. Não conseguiu se tornar um guardião (militar do EGRI – red.). Pode ser que não quisesse isso porque gostava de liberdade <…>. Sim, foi um patriota do Irã.

Hamidreza Asadollahi fez a sua escolha. <…> preferiu uma morte de mártir.”

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