Teerã conta com ‘plano de Putin’

© AP Photo / Office of the Iranian Supreme Leader via APPresidente russo Vladimir Putin (à esquerda) com o líder supremo do Irã aiatolá Ali Khamenei (à direita)
Presidente russo Vladimir Putin (à esquerda) com o líder supremo do Irã aiatolá Ali Khamenei (à direita) - Sputnik Brasil
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Na terça-feira (12) o presidente da Rússia Vladimir Putin sublinhou, em uma entrevista à edição alemã Bild, que a Rússia está pronta, se for necessário, a tomar parte da regulação do conflito entre o Irã e a Arábia Saudita.

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“Se a nossa participação for exigida de uma maneira ou outra, estamos prontos a fazer tudo para que o conflito seja esgotado e o mais rápido possível”, disse Putin explicando que a Rússia “construiu boas relações com o Irã e está construindo relações firmes de parceria com a Arábia Saudita”.

Em uma entrevista à Sputnik, o conselheiro do presidente do parlamento iraniano em questões internacionais, Hossein Sheikholeslam, expressou a posição oficial do Irã sobre as palavras do presidente russo:

“Em primeiro lugar expressamos uma grande gratidão à Rússia e pessoalmente ao presidente Vladimir Putin pelo fato que ele não ficou impassível perante os acontecimentos e mostrou vontade de participar da resolução mais rápida da crise surgida nas relações entre os dois países, crise que não contribui para a estabilização da situação na região em geral…”.

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Porém, segundo o político iraniano, a Arábia Saudita tem grande culpa da situação:

“É preciso entender que as autoridades sauditas cometeram um crime em relação a um simples clérigo xiita pela verdade e veracidade exprimida por ele relativamente à política despótica do regime governante [na Arábia Saudita]. A represália sobre ele foi realizada sem investigação e tribunal, sem direito a um advogado, a despeito de todas as convenções e leis internacionais…”.

Sheikholeslam explicou porque isto pôde acontecer:

“O rei governante confiou todos os assuntos estatais importantes ao seu jovem e inexperiente filho que, por sua vez, tentando se afirmar como um herdeiro digno, conduz uma luta interna despótica e imprevidente… Como resultado – um conflito externo que resultou na deterioração e quase ruptura das relações diplomáticas com o Irã”. 

Entretanto, segundo o parlamentar iraniano, o seus país acredita no plano russo, se este se mostrar eficaz:

“Se o respeitado presidente Vladimir Putin tiver um plano eficaz, então o Irã irá receber tal iniciativa por parte da Rússia. Porque, como se diz, é possível escolher amigos e aliados, mas não os vizinhos, os vizinhos são os países com quais é preciso coexistir”.

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Outro interlocutor da Sputnik, o cientista político, diplomata e ex-funcionário da embaixada iraniana no Líbano Seyed Hadi Afghahi, opina que o papel da Rússia na regularização da crise pode ser decisivo:

“O que toca à eficácia da participação da Rússia como mediador na regularização da crise surgida nas relações entre os dois países, aqui há um fator a ter em conta: o desejo das próprias autoridades da Arábia Saudita. Sem dúvida, a Rússia é um país imenso e poderoso. Ela tem relações estratégicas com o Irã e de boa parceria com a Arábia Saudita. Por isso, a Rússia pode ser um mediador eficaz e confiável na regularização desta crise. Apesar de o Iraque também manifestar a iniciativa de mediar a solução do conflito entre o Irã e a Arábia Saudita, a Rússia, contudo, tem mais chances de sucesso devido à sua influência e autoridade entre os países da região”.

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Além disso, o especialista sublinhou que quem somente lucrará com “o conflito entre os dois grandes países islâmicos da região – Irã e Arábia Saudita – serão os sionistas e os EUA, enquanto povos inteiros podem sofrer com ele”. 

As relações entre o Irã e a Arábia Saudita deterioraram após execução em 2 de janeiro de 47 pessoas por Riad, inclusive um proeminente clérigo xiita. Censurando esta ação, manifestantes saíram às ruas do Irã, o maior país xiita, e atacaram a embaixada saudita. Em resposta, Riad cortou as relações diplomáticas com Teerã.

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