Ex-chefe do Pentágono alerta para perigo de terrorismo nuclear

© REUTERS / US ArmyExplosão de bomba nuclear. Foto de arquivo
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O ex-secretário de Defesa dos EUA William Perry afirmou que um ataque terrorista usando uma bomba nuclear ou um aparato nuclear improvisado pode acontecer "a qualquer momento - no ano que vem ou no próximo."

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Antes de servir no Pentágono sob o governo Clinton, de 1994 a 1997, Perry executou um papel vital no desenvolvimento e na modernização de forças nucleares durante a Guerra Fria. Hoje, o ex-secretário tem como missão alertar para o "perigo real e crescente" das armas que ele ajudou a desenvolver.

Durante a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, Perry foi intimado secretamente a Washington para analisar dados de inteligência sobre as armas soviéticas em Cuba.

"Em cada dia que foi ao centro de análise, pensei que seria meu último dia na Terra", escreveu Perry em um livro de memórias publicado recentemente chamado "Minha Jornada no Limite Nuclear." O ex-secretário disse acreditar na época que o mundo evitou um holocausto nuclear por boa administração, mas também por muita sorte.

Em uma entrevista no início de dezembro, Perry relembrou um incidente em novembro de 1979, quando era oficial sênior do Pentágono e foi despertado às 3h da manhã com um telefonema de um centro de comando subterrâneo responsável por um alerta de ataque com mísseis. O oficial de plantão disse a Perry que seus computadores mostravam 200 mísseis nucleares armados na União Soviética e apontados para os EUA.

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"Foi, claro, um alarme falso", disse Perry, mas uma das muitas experiências vividas durante e depois da Guerra Fria. Segundo o ex-secretário, esses momentos lhe deram "um ponto de vista único e assustador para concluir que armas nucleares não fornecem mais segurança — mas colocam o mundo em risco."

Perry acredita que as forças nucleares dos EUA não precisa mais de mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) e podem confiar nas outras duas pernas do tripé: aviões bombardeiros e mísseis em submarinos. Segundo ele, os ICBMs deveriam ser deixados de lado. "Não acho que vá acontecer, mas acho que deveria. Eles não são necessários" para impedir uma agressão nuclear.

Perry também é contra o plano do governo de construir um míssil de cruzeiro com capacidade nuclear. Para ele, a modernização nuclear da Rússia e os planos americanos de gastar centenas de bilhões para atualizar seu arsenal nuclear são uma competição nuclear irracional.

"Vejo como imperativo parar essa maldita corrida nuclear antes que ela comece outra vez, não só pelos gastos mas pelo perigo em que ele coloca todos nós."

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