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Militante do Daesh: ‘Fomos treinados na Turquia’

© Sputnik / Valeriy MelnikovSoldado sírio analisa ruínas de uma aldeia cristã destruída pelo Daesh no nordeste da Síria
Soldado sírio analisa ruínas de uma aldeia cristã destruída pelo Daesh no nordeste da Síria - Sputnik Brasil
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As Unidades de Proteção Popular (YPG), organização armada curda, conseguiram aprisionar vários militantes do Daesh depois de combates no norte da Síria. A Sputnik conseguiu falar com um dos prisioneiros.

Abdurrahman Abdulhadi, de 20 anos de idade, é sírio de origem árabe. Ele foi feito prisioneiro pelas forças curdas em dezembro de 2015, na aldeia de Heresta, região de Al-Hasakah. O irmão dele continua combatendo no Daesh, também conhecido como Estado Islâmico.

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Segundo Abdulhadi, ele se juntou às fileiras do Daesh em 2013.O soldado disse que no Daesh lutam muitos militantes turcos e que ele foi treinado em Adana, uma das principais cidades turcas:

«Em agosto de 2014 fiz a instrução militar, dirigida por um dos emires do Daesh em Adana. Éramos  60, a instrução passou na aldeia perto do aeroporto. De manhã acordávamos, praticávamos esporte. Uma vez por semana praticávamos tiro, nos ensinaram como usar os AK-47, metralhadores e outros tipos de armas».

O militante frisou que o treinamento passava na Turquia já que os comandantes do Daesh consideravam que era mais seguro do que na Síria. Não era possível ensinamento militar na Síria por causa dos bombardeios.

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Além disso, Abdulhadi disse que o campo de treinamento em Adana foi apresentado à imprensa como um campo do Exército Livre da Síria, considerado na Turquia como «oposição moderada»:

«Na mídia escreveram que passámos treinamento no campo militar do Exército Livre da Síria mas, na verdade, todas as 60 pessoas que lá estavam integravam o Daesh. Eram cidadãos sírios, muitos deles de início tinham chegado à Turquia para ganhar dinheiro, depois aderiram ao Daesh».

O prisioneiro também disse que o seu encargo principal da organização terrorista era encontrar sírios que haviam chegado à Turquia:

«Estabeleci contatos com os sírios pela Internet, os ajudei a chegar à Turquia e começar o treinamento… Depois do treinamento, os enviávamos para Urfa, dalí — para Raqqa. De Raqqa eram distribuídos por várias regiões da Síria».

Abdurrahman Abdulhadi também revelou a origem dos armamentos dos terroristas:

«As armas eram fornecidas ao Daesh a partir do Iraque em carros civis sob disfarce de ajuda humanitária, alimentos. Os armamentos pesados eram fornecidos de al-Shaddadi [cidade no nordeste da Síria]. Eu também estive lá por algum tempo, trabalhei no reconhecimento do Daesh. O comandante me enviou para a aldeia de Efir, na região de Hol. Passei lá uma noite, na noite seguinte, em 11 de dezembro de 2015, as tropas das YPG atacaram as nossas posições e capturaram nós dois. Na povoação de Hol, o emir era um francês chamado Abu Yuahya».

O militante capturado disse que tem pena de ter entrado no Daesh:

«O que eu pensava do Daesh e o que enfrentei na realidade são coisas diferentes».

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