Comércio sexual de militares estrangeiros choca mães

© AFP 2022 / MARCO LONGARIEm 14 de dezembro, na cidade de Bangui, um soldado da ONU na frente de uma parede com a inscrição que diz "Sim" em francês
Em 14 de dezembro, na cidade de Bangui, um soldado da ONU na frente de uma parede com a inscrição que diz Sim em francês - Sputnik Brasil
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A Sputnik France obteve as primeiras reações sobre alegações de atos de sexo forçado praticados contra menores na África Central.

O escândalo foi revelado pela mídia inglesa, nomeadamente pelo jornal The Guardian, em abril. Naquele momento, a Justiça francesa tinha confirmado o lançamento de investigação de possíveis casos de abuso sexual contra menores.

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Foi a Justiça francesa porque as forças de paz francesas estavam em questão.

Já em setembro, informava-se sobre 17 casos comprovados de abuso sexual praticado por soldados das forças da ONU. Entre os casos relatados, houve inclusive fatos de sexo oral em troca de comida

A Sputnik conseguiu contatar a porta-voz do comitê especial da Diáspora para a Paz na República Centro-Africana em 2014-2015, Sylvie Baipo-Temon, que comentou:

"Houve uma reportagem mostrada pela TV francesa em setembro ou outubro como informações sobre os estupros. Havia responsáveis militares interrogados no local <…> e quando um responsável militar responde a perguntas sobre estupros de crianças com um sorriso na boca, eu, como mãe, fico chocada".

Mas então, qual é a situação?

"Para poder se alimentar e se movimentar, a população se vê obrigada de pagar aos militares <…> Os militares arranjam, então, um comércio: prestam serviço de guarda-corpo e alimentam a violência…”, disse a porta-voz da Diáspora.

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Ora, o objetivo declarado da presença do contingente militar francês e o da ONU na África Central é precisamente proteger a população.

Por sua parte, Jean-Barack Ouambetti, da ONG Violência de Gênero em Bangui, capital da República Centro-Africana, assegura que as vítimas e possíveis vítimas de violência sexual por parte dos soldados da ONU estão fazendo suas denúncias e são ouvidas.

O resultado, portanto, não é de esperança para as Nações Unidas, que, segundo Baipo-Temon, "está em uma situação embaraçosa". Ouambetti comenta que "depois desses crimes, o Ocidente é visto de muito maus olhos".

"Quando a força veio à África Central pela primeira vez, toda a população pensou que era uma força vinda para a paz e para fazer [o país] sair da crise, mas com tudo o que passou, as pessoas ficaram muito desiludidas pelo comportamento da força militar, que se permite tais práticas vindas de um outro século", ressaltou o ativista.

Além dos contingentes da ONU e de França, Ouambetti mencionou "outras forças criminosas, por exemplo o contingente marroquino ou congolês".

Antes, o próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tinha dito "lamentar profundamente o fato de que estas crianças foram traídas por pessoas que tinham sido enviadas para as salvar".

A Sputnik está acompanhando a situação e procurando mais reações.

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