Washington e seus aliados ‘não fazem ideia’ de como destruir o Daesh

© AP PhotoCombatentes do grupo terrorista Estado Islâmico no Iraque, cidade de Mosul. 25 de junho de 2014
Combatentes do grupo terrorista Estado Islâmico no Iraque, cidade de Mosul. 25 de junho de 2014 - Sputnik Brasil
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Os EUA e os seus aliados dizem frequentemente que estão muito determinados na vontade de destruir o Daesh mas um analista político, Alan Hart, opina que, na verdade, eles não têm nenhuma ideia de como pôr fim a um dos grupos terroristas mais violentos no planeta.

“O maior problema é que a administração de Obama e todos os governos ocidentais não fazem ideia do que deve ser feito para que [o Daesh] e todo o fundamentalismo islâmico seja contido e derrotado em todas as suas manifestações.

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O que é especialmente necessário em todos os corredores do poder Ocidental é uma compreensão do que alimenta o [Daesh] e todas as outras forças radicais”, disse Hart à Sputnik. 

O grupo terrorista aproveitou os ressentimentos dos povos do Médio Oriente usando a dor, a humilhação, a raiva e o desespero de muitos árabes e muçulmanos nos seus próprios interesses, opina o especialista.    

Hart acredita que este estado de coisas é condicionado por duas causas principais, com as quais “não se pode lidar com bombas e balas”. A primeira está relacionada com a política exterior dos EUA dos últimos quinze anos, e a segunda tem a ver com a corrupção e o autoritarismo na maioria dos países da região.

Os grupos terroristas “podem ser tratadas militarmente, mas [o Daesh] é uma ideia, uma ideologia <…> e você não pode derrubar uma ideia com bombas e balas. Você tem que agir sobre as razões, as raízes, e não as consequências”, sublinhou o especialista.

Uma estratégia cujo intuito é derrubar o Daesh deveria incluir duas componentes: deve haver uma mudança na política externa dos EUA para com o mundo islâmico e os EUA devem persuadir os regimes islâmicos a oferecerem mais liberdades aos seus povos.

O analista parece duvidar que isso aconteça e notou que “as coisas só vão piorar”.

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Hart advertiu também que a guerra na Síria podia ter sido evitada caso Barack Obama tivesse discutido o problema dos insurgentes anti-Assad com Vladimir Putin.

A organização terrorista Daesh (proibida na Rússia e reconhecida como terrorista pelo Brasil) autoproclamou-se "califado mundial" em 29 de junho de 2014, tornando-se imediatamente uma ameaça explícita à comunidade internacional e sendo reconhecida como ameaça principal por vários países e organismos internacionais. Porém, o grupo terrorista tem suas origens ainda em 1999, quando o jihadista da tendência salafita jordaniano Abu Musab al-Zarqawi fundou o grupo Jamaat al-Tawhid wal-Jihad. Depois da invasão norte-americana no Iraque em 2003, esta organização começou a fortalecer-se, até transformar-se, em 2006, no Estado Islâmico do Iraque. A ameaça representada por esta entidade foi reconhecida pelos serviços secretos dos EUA ainda naquela altura, mas reconhecida secretamente, e nada foi feito para contê-la. Como resultado, surgiu em 2013 o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que agora abrange territórios no Iraque e na Síria, mantendo a instabilidade e fomentando conflitos.

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