2015 chega ao fim confirmando o protagonismo internacional da Rússia e de Putin

PANORAMA INTERNACIONAL FABIANO 2 DE 23-12-15
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O processo de consolidação da Rússia como personagem indispensável à resolução dos conflitos internacionais é um dos grandes destaques do ano de 2015, na opinião de dois especialistas em Relações Internacionais.

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Fabiano Mielniczuk, do Instituto Audiplo e da Escola Superior de Propaganda e Marketing, do Rio Grande do Sul, e José Niemeyer, coordenador do Curso de Relações Internacionais do Ibmec-Rio, consideram que a Rússia mostrou ao longo deste ano a sua força em vários episódios, como a capacidade de sobrevivência às sanções ocidentais, a forma decisiva como entrou no combate ao Daesh (Estado Islâmico) na Síria e como garantiu à comunidade internacional que o Irã vai utilizar o seu programa nuclear apenas para fins pacíficos.

“A população russa vive um momento muito positivo com o Governo Putin”, comenta José Niemeyer. “Há uma popularidade em alta na Rússia. A população e a sociedade civil russa percebem os benefícios da abertura da economia, os benefícios que o Governo Putin conseguiu realizar nos últimos anos, não necessariamente a partir de Putin, mas a partir do grupo político que Putin representa. Com isso, a política interna na Rússia deve permanecer muito favorável ao Governo, e isso vai fazer com que a política externa continue a ser muito proativa.”

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Já Fabiano Mielniczuk destaca que 2015 chega ao fim com “a Federação Russa envolvida em uma série de atividades militares, principalmente no caso da Síria, o que demonstra uma transformação do papel da Rússia no mundo.

“O ano termina com o Presidente Putin contando com aproximadamente 80% de aprovação popular. Imaginem um presidente que vê a economia do país encolher 4% e continua com o apoio majoritário da população”, analisa Mielniczuk.

O diretor do Instituto Audiplo frisa que este foi um ano bastante atípico, “e para nós compreendermos por que o ano termina dessa forma temos que entender alguns elementos relacionados à figura do Presidente Putin e também ao cenário internacional que se apresentou para a Rússia em 2015”.

“Em primeiro lugar, o Presidente Vladimir Putin conseguiu enfrentar a situação bastante difícil das sanções econômicas impostas pelos EUA e pelos europeus como uma espécie de represália pelo fato de a Rússia ter anexado a Crimeia e por os russos estarem apoiando os separatistas no Leste da Ucrânia. A Rússia deu o troco, impondo sanções econômicas também aos seus parceiros europeus, e os russos tentaram buscar nas relações com a China e com os outros países emergentes lugares e mercados para suprirem suas necessidades econômicas.”

Mielniczuk põe em relevo o fato de que a Rússia enfrentou uma queda impressionante nos preços internacionais do petróleo:

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“No começo do ano, quando os russos fizeram as projeções orçamentárias – e nós todos sabemos que o petróleo é a principal fonte de receita da economia russa –, eles estimaram que o preço do petróleo ficaria na faixa dos 100 dólares o barril, e nós estamos terminando 2015 com o petróleo na faixa dos 40 dólares o barril. É por isso que os russos tiveram que refazer os seus cálculos orçamentários e aceitar que a crise econômica que afeta a Rússia hoje é mais forte do que eles haviam previsto. E como Putin lidou com essa situação? Ele foi para a televisão, responder perguntas de jornalistas, e quando foi questionado sobre isso disse aproximadamente o seguinte: ‘Nós nos enganamos, planejamos uma coisa e aconteceu outra, e agora vamos fazer de tudo para reverter a situação. Daqui não desce mais. Nós vamos, a partir de agora, só subir, só crescer, e não retroceder economicamente.’ Esta postura do Putin, muito franca com os russos, é bastante importante para manter os níveis de aceitação do presidente na casa dos 80%, embora o cenário econômico seja adverso.”

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