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Antes da posse, Nélson Barbosa procurou tranquilizar investidores

POR DENTRO DOS FATOS COM MARIO RUSSO
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Empossado nesta segunda-feira, 21, no Ministério da Fazenda, substituindo Joaquim Levy, o Ministro Nélson Barbosa começou o seu dia conversando com investidores internacionais sobre os rumos da economia brasileira, agora sob o seu comando.

Ex-titular do Planejamento de Dilma Rousseff, Nélson Barbosa disse aos investidores que o foco do Governo continuará sendo o combate à inflação e o empenho pela aprovação do ajuste fiscal no Congresso Nacional.

Para o jornalista de Economia Mário Russo, a iniciativa de Nélson Barbosa em tranquilizar os investidores deve ser elogiada, pois, “num momento em que o Brasil precisa recuperar a confiança internacional diante da necessidade de revigorar a sua economia, é muito importante mostrar ao mundo que o Governo tem objetivos definidos e metas a serem cumpridas”. 

Russo comenta que no encontro com os investidores o Ministro Barbosa “praticamente repetiu o discurso de posse: que ele tem prioridades absolutas. A primeira, colocar em ordem as chamadas pedaladas fiscais, das quais ele participou ativamente quando esteve à frente do Ministério do Planejamento. E ele apontou para os investidores como uma das primeiras urgências, inclusive com a possibilidade – ainda não efetivada, mas é uma possibilidade bem factível – de o BNDES adiantar recursos ao Tesouro. O BNDES tem dívida com o Tesouro e seria uma operação de adiantamento do pagamento da dívida. E os investidores focaram basicamente no desequilíbrio das contas públicas, com o qual, segundo eles, não há possibilidade de retomada do crescimento de economia a partir de 2017. Para eles, 2016 já é carta totalmente fora do baralho”.

Segundo Mário Russo, “a expectativa do mercado para o PIB, este ano, é de uma queda de 3,7%, e se isso se confirmar vai ser o pior resultado desde 1991”.

“Os investidores também se mostraram preocupados de que a expectativa que há no mercado é que em 2016 o PIB recue menos, mas, ainda assim, recue 2,8%”, observa o jornalista. “A inflação também esteve presente nessa conversa com os investidores porque ela afeta o dia a dia dos meros mortais. Numa Pesquisa Focus [do Banco Central] citada por eles, a projeção é de que o Brasil feche este ano com 10,7%, uma alta muito grande, puxada pelos preços administrados pelo Governo, como telefonia, água, energia, combustível e tarifas de transportes. Para 2016 a expectativa é de uma inflação de 6,8%. Os investidores cobraram isso e lembraram, ainda, que duas agências de avaliação de risco, a Standard & Poor's e a Fitch, já rebaixaram o Brasil, restando a Moody's, que já está com sinalização de acompanhar a decisão das outras duas e rebaixar o Brasil. Também conversaram sobre a taxa Selic, que hoje está em 14,25% ao ano e é a maior taxa básica de juros em 9 anos.”

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