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Opinião: Entrevista de Putin mostrou protagonismo da Rússia no cenário global

PANORAMA INTERNACIONAL COM FABIANO
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Mil e quatrocentos jornalistas, da Rússia e de vários outros países, acompanharam nesta quinta-feira, 17, a tradicional entrevista coletiva de final de ano do presidente da Federação Russa, Vladimir Putin. O especialista brasileiro Fabiano Mielniczuk comenta para Sputnik Brasil a fala de Putin.

Durante pouco mais de três horas (12h às 15h, de Moscou, 7h às 10h, de Brasília), Putin respondeu a inúmeras questões sobre os mais variados temas, e sem conhecimento prévio, conforme salientou a Assessoria de Imprensa do Kremlin.

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Putin falou da política interna russa, da situação da economia do país, que, a seu ver, tem de iniciar imediatamente o seu processo de recuperação, e principalmente da política externa da Rússia, o que envolveu comentários sobre o relacionamento com Estados Unidos, União Europeia, Ucrânia, Turquia e Síria e, com o mais amplo destaque, o combate que os militares russos estão travando contra o Daesh (o autodenominado Estado Islâmico), a convite do Presidente Bashar Assad.  

Sputnik Brasil solicitou a Fabiano Mielniczuk uma análise das declarações de Putin à imprensa russa e internacional. O Professor Mielniczuk é diretor do Audiplo, instituto preparatório para as provas de ingresso no curso de formação dos diplomatas do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

A seguir, o comentário de Fabiano Mielniczuk.

“Em termos de política interna, Putin foi muito honesto em reconhecer que as previsões que haviam sido feitas no início do ano a respeito da economia russa infelizmente não foram previsões que se mostraram acertadas porque os russos acreditavam que reduziriam um pouco a atividade econômica mas que a redução não seria tão violenta quanto foi. Putin reconheceu que, quando se organizou o orçamento no começo do ano, ele previa um patamar médio do preço do barril de petróleo, que é a principal fonte de receita da Rússia, na casa dos 100 dólares, e o preço do barril despencou para 40 dólares. Isso causou um problema, e Putin apontou esta queda do preço internacional do petróleo como sendo o fator que levou a essa desaceleração da economia russa. O Presidente Putin deixou bem claro que, do seu ponto de vista, este é o fundo do poço, não há como baixar mais, não há como a economia russa cair mais que isso no ano que vem. A tendência é de melhora, até porque existe uma série de questões internacionais que aos poucos vão sendo resolvidas.”

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Fabiano Mielniczuk comenta também a abordagem da questão da Turquia na fala de Vladimir Putin em sua entrevista à imprensa:

“É claro que o assunto da Turquia deveria vir à tona. Todos ainda lembramos da derrubada do caça russo na fronteira da Síria com a Turquia e da repercussão negativa que isso teve na Rússia. O Presidente Putin está sendo bastante duro, acusando familiares do Presidente Erdogan de ganharem benefícios com a venda de petróleo extraído da região que é dominada pelo Daesh (Estado Islâmico”. A Rússia já foi bastante veemente em acusar a Turquia de patrocinar o terrorismo internacional, cobrando, inclusive, uma atuação dos parceiros da Turquia na OTAN para que isso seja coibido, para que as ações militares de vários países na Síria contra o Daesh sejam eficientes por conta dessa supressão das receitas econômicas do Daesh.”

O Professor Mielniczuk também comentou o trecho da entrevista do Presidente Putin relativo à Síria:

“Para combater o Daesh tem que haver a cessação da violência entre as forças de Assad e as forças da chamada oposição moderada sustentada pelos ocidentais – pelos Estados Unidos, pelos franceses e pelos ingleses. O problema é como se vai, depois de 4 anos de guerra, depois de mais de 200 mil mortos e de muito sofrimento, colocar o Governo de Assad para negociar com aqueles que, na visão dele, são também os que levaram o país para o colapso que ele está vivendo. A estratégia russa para isso é de que os países chegassem a um acordo em relação a uma lista indicando quais seriam os grupos rebeldes moderados de oposição a Assad que poderiam negociar com ele e quais seriam os grupos que deveriam ser tratados como terroristas. Aí encontramos os principais problemas, porque do lado da lista dos rebeldes moderados há sempre a possibilidade do veto do Governo indicando que alguns grupos que o Ocidente considera como moderados para ele são vistos como terroristas. E do outro lado tem uma disputa entre os ocidentais para estabelecer quais são os seus proxies, aqueles que estavam lutando por procuração para avançar seus interesses nesse governo provisório. Aí se estabeleceria quem se continua atacando e quem começa a negociar um governo provisório. Estes são os pontos mais delicados do que está sendo tratado sobre a questão da Síria.”

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Fabiano Mielniczuk continua:

“E há outra agravante que surgiu nesta semana e na fala do Presidente Putin ficou muito claro que os russos estão percebendo: a criação de uma coalizão sunita, islâmica, liderada pela Arábia Saudita, com todos os membros da Organização para a Cooperação Islâmica. São 34 países, incluindo o Mali, o Egito, a Líbia, o Catar, o Benin, os Emirados Árabes Unidos – vários países –, que acordaram com a Arábia Saudita uma coalizão para lutar contra o Daesh na Síria. O Presidente Putin se referiu a esta coalizão como algo estranho, porque, se já existe uma coalizão liderada pelos EUA, da qual a Arábia Saudita faz parte, porque ela cria uma nova coalizão para lutar contra os terroristas na Síria?”

Finalmente, o Professor Mielniczuk acrescenta ao seu comentário sobre a entrevista concedida hoje pelo Presidente Vladimir Putin a 1.400 jornalistas de todo o mundo:

“Putin foi muito feliz quando disse que, se existe o interesse universal para combater o Daesh, existem interesses regionais de algumas potências regionais, e aí, implicitamente, está o caso da Arábia Saudita em avançar os seus interesses, e isso vai contra os interesses universais de combater o terrorismo. Putin pergunta isso para saber até que ponto essa coalizão da Arábia Saudita não vai prejudicar os esforços da negociação entre os EUA e a Rússia, e aí nós temos uma leitura ocidental que indica que os EUA apoiaram a Arábia Saudita para criar essa coalizão entre todos os Estados sunitas muçulmanos para que eles possam chegar a um acordo a respeito de quem são as forças moderadas e quem são as forças radicais fundamentalistas. O que é bastante perigoso, porque nós sabemos que existe um vínculo bastante forte entre uma filosofia, uma interpretação religiosa, a wahabbita da Arábia Saudita e os grupos mais fundamentalistas que lutam na Síria e, de modo geral, na Ásia Central e no Cáucaso.”

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