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Coalizão islâmica contra Daesh é instrumento para salvar regime saudita

© AFP 2021 / FAYEZ NURELDINESoldados sauditas no sudoeste da Arábia Saudita, 13 de abril de 2015
Soldados sauditas no sudoeste da Arábia Saudita, 13 de abril de 2015 - Sputnik Brasil
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Na opinião de especialistas, a criação da coalização islâmica contra o Daesh provoca muitas dúvidas e não será bastante eficiente para resolver o problema do terrorismo na região.

A Arábia Saudita formou uma coalização militar islâmica de 34 países contra o terrorismo. O centro de comando operacional unido será baseado na capital da Arábia Saudita, Riad. Segundo a declaração oficial, a coalização é criada para “resistir ao terrorismo que se tornou uma ameaça para interesses da nação islâmica” e também “partindo do direito de nações à autodefesa”.

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Além da Arábia Saudita, a coalização incluirá a Autoridade Nacional Palestina, Bahrein, Bangladesh, Benin, Chade, Costa do Marfim, Djibuti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Gabão, Guiné, Jordânia, Iêmen, Kuwait, Líbano, Líbia, Malásia, Maldivas, Mali, Marrocos, Mauritânia, Níger, Nigéria, Paquistão,, Qatar, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão, Togo, Tunísia, Turquia, União das Comores. Também mais países islâmicos se manifestaram a favor da nova coalização, um deles é a Indonésia.

Na opinião de um analista dos assuntos do Oriente Médio do grupo internacional de especialistas IHS, Firas Abi Ali, é pouco provável que a coalização islâmica atinja alguns resultados sem realizar uma operação terrestre. Ele opina que o Daesh só pode ser derrubado retomando territórios dos terroristas e mantendo controle sobre esses territórios; mas ainda não há evidências que a nova aliança esteja tomando as medidas necessárias.

O especialista sublinhou que nem todos os países-membros confirmaram a sua participação.

É interessante que o Líbano está entre os membros da coalização mas a chancelaria do país ainda não sabe sobre isso.

“O Ministério das Relações Exteriores do Líbano confirma que não possui nenhuma informação sobre a criação da coalização islâmica para lutar contra o terrorismo”, diz-se no comunicado oficial da chancelaria libanesa.

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Será que isso pode acontecer com outros países incluídos na coalização?

Na opinião de Firas, a criação da coalização é uma tentativa de alargar o clube de países que apoiam a Arábia Saudita como o líder do mundo sunita.

Outro especialista, Sam Kiley, considera que criar a tal coalização significa agravar a situação na região. A ameaça principal nesta situação com a coalização é que excluiu o Irã xiita bem como a Síria e o Iraque, afirmou.

O especialista opina que é provável que o Irã fará uma tentativa de criar uma aliança semelhante que consistirá de países xiitas.

Quanto ao Paquistão, o analista político local Wajahat Masood opina que a decisão de participar da coalização foi inesperada, mas não surpreendeu.

“O governo paquistanês depende da ajuda externa, principalmente a saudita, para resolver problemas internos, formar orçamento etc.”, disse Masood à Sputnik.

O especialista disse que tudo dependerá da percepção do terrorismo pela coalização.

“Na nossa percepção o terrorista é alguém que usa armas para obrigar outros a se submeter às suas exigências, políticas ou religiosas. Alguém que mata com este objetivo e está disposto a cometer qualquer crime”, afirmou, acrescentando que para os sauditas o terrorista é qualquer pessoa que ameaça ao regime atual do país.

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Masood disse que não espera que a Arábia Saudita adotará a percepção paquistanesa porque durante os últimos 30 anos este país contribuiu para que o mundo mergulha na onda de terrorismo.

Também afirmou que o regime saudita não é tão sólido que parece e a coalização islâmica pode ser um instrumento para prevenir um roteiro dramático.

O especialista paquistanês opina que a criação da coalização é mais um passo para o mundo multipolar. Além disso os últimos desenvolvimentos convenceram da superioridade moral e ética da Rússia.

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