Rússia disposta a recorrer a tribunal após reforma do FMI

© AFP 2022 / MANDEL NGANEmblema do Fundo Monetário Internacional na sede da organização em Washington, 30 de novembro de 2015
Emblema do Fundo Monetário Internacional na sede da organização em Washington, 30 de novembro de 2015 - Sputnik Brasil
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Na terça-feira (8), a Assembleia de Governadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou uma reforma que permite creditar devedores mesmo em caso de moratória da dívida soberana, disse o governador russo no FMI, Aleksei Mozhin.

Mozhin afirmou: “A decisão da Assembleia de Governadores do fundo permite com certas condições financiar programas do fundo em caso de moratória da dívida pública. Votei contra. Não posso dizer nada sobre o resto de governadores devido à política de confidencialidade”.

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Segundo o governador russo no FMI, “a decisão entra em vigor de imediato” e será aplicada em relação aos contratos que foram concluídos antes.

Na opinião de muitos especialistas, a discussão deste documento está ligado à ameaça de moratória da Ucrânia relativamente à dívida de 3 bilhões de dólares à Rússia e às aspirações do fundo de salvar Kiev. Entretanto, a posição oficial do FMI é que a ideia de realizar esta reforma se desenvolve já há alguns anos.

O ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, criticou a decisão.

“A decisão de alterar as regras parece apressada e tendenciosa. É tomada exclusivamente em detrimento da Rússia e com o objetivo de legalizar uma possibilidade de Kiev não pagar as suas dívidas”, disse Siluanov.

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Na sua opinião, a decisão tomada destrói regras que foram elaboradas por muitos anos. O credor soberano tinha sempre prioridade sobre o credor comercial. Siluanov lembrou que somente a Rússia prestou ajuda à economia ucraniana e concedeu um crédito ao país quando este não tinha acesso aos mercados externos dois anos atrás. Em 2013, a Rússia comprou obrigações da Ucrânia no montante total de 3 bilhões de dólares à taxa que é significativamente mais baixa que a de mercado – 5% ao ano.

No fim de novembro, o primeiro-ministro ucraniano Arseny Yatsenyuk afirmou que Kiev não pagará 3 bilhões de dólares da dívida à Rússia e que o país não aceitará outras condições de reestruturação. A ministra das Finanças ucraniana, Natalya Jaresko confirmou a possibilidade de o país se recusar a pagar a dívida à Rússia por causa da “pressão forte de parte de povo, que está contra o retorno desta dívida“.

Na quarta-feira (9), o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, disse aos jornalistas do canal televisivo Rossiya 24: “Quanto a estes 3 bilhões…com certeza, não nos resignaremos a isso. Iremos para tribunal e iremos solicitar a moratória de todas as dívidas da Ucrânia, que mais podemos fazer?”

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A ideia foi ecoada por Siluanov: “Acedemos, propusemos uma variante para regularizar o problema de dívida da Ucrânia e apresentámos [a proposta ao FMI] porque entendemos que Kiev não resolverá os seus problemas de dívida por si próprio. Mas propuseram-nos realizar negociações como os outros credores comerciais”.

O ministro das Finanças russo acrescentou também que a Rússia pretende convocar uma reunião da Assembleia de Governadores do FMI para confirmar o estatuto da dívida soberana da Ucrânia em relação à Rússia.

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