Os negócios duvidosos da família de 'Don Erdogan'

© AFP 2022 / BULENT KILICCartaz da campanha eleitoral de Recep Tayyip Erdogan, onde se lê "Vencemos!"
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Um ex-deputado do maior partido da oposição da Turquia concedeu uma entrevista à Sputnik Turquia comentando o papel da Turquia no comércio ilegal de petróleo por parte do EI e de outros grupos terroristas.

O tema do papel muito ativo que a Turquia desempenha no transporte do petróleo que o grupo terrorista Estado Islâmico fornece aos mercados mundiais já há muito tempo que gera uma discussão internacional. O ex-deputado do maior partido da oposição da Turquia, Mehmet Ali Ediboglu, concedeu a entrevista à Sputnik Turquia comentando o assunto.

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Segundo ele, desde março de 2014 o tráfico de petróleo tem sido realizado de duas maneiras.

O petróleo chega à Turquia primeiramente através do oleoduto subterrâneo que passa por todos os povoados que ficam na fronteira turco-síria, construído por meio de equipamento especial.

Mehmet Ali Ediboglu sublinhou que não só os terroristas do EI estão que praticam esta atividade criminosa, mas também oposição armada síria e a Frente al-Nusra, afiliada a Al-Qaeda.

“A única via usada pelos vários grupos terroristas para fornecer o petróleo ao mercado internacional passa pela Turquia”, disse.

Turquia, Israel e depois – para todo o mundo…

Haytham Mannaa era no início da crise síria um dos líderes da oposição mas logo decidiu se separar da oposição devido a recusar aceitar os seus métodos da luta. Ele também tem várias vezes declarado que a Turquia há muito que ignora este fato: que os terroristas do EI estavam atravessando a fronteira turca e estavam garantindo o comércio ilegal de petróleo através do território turco.

Mannaa também informou que o Conselho de Segurança da ONU já recebeu o seu relatório sobre a venda de petróleo do EI através da Turquia com o apoio de quatro empresários próximos das autoridades do Curdistão Iraquiano.

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O ex-deputado turco Mehmet Ali Ediboglu declarou à Sputnik que Mannaa também enviou ao Conselho de Segurança da ONU a lista de empresas e nomes de empresários que vendem o petróleo. Logo após isso, vários empresários iraquianos mencionados na lista foram detidos de acordo com a decisão do governo do Iraque. Mas a Turquia se recusou a tomar quaisquer medidas a respeito da questão.

O entrevistado sublinhou especialmente que o petróleo proveniente da Turquia é feito chegar a Israel, de onde já é depois distribuído pelo mundo. Da região tuca de Ceyhan, o petróleo segue para Israel, EUA, Itália, França, Alemanha e Holanda.

Quando a família é mais importante que as leis

Em maio de 2008, as relações entre Ancara e a Autonomia curda no Iraque passaram para uma nova etapa. Em agosto do mesmo ano, em Singapura e nas ilhas Virgens, um "paraíso offshore" no mar do Caribe, foram criadas três empresas ligadas. O parceiro destas era a empresa Powertrans, fundada antes, em 2011, em Istambul. De acordo com o jornalista turco Tolga Tanis, esta última pertence à holding Calik, cujo diretor-geral é Berat Albayrak, genro do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e recentemente tornado ministro da Energia turco. 

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Dois meses após a criação da Powertrans, durante a primeira reunião do gabinete de ministros Erdogan, o então premiê turco, decidiu dar facilidades às compras do petróleo proveniente do Curdistão Iraquiano. De acordo com a legislação, o transporte de petróleo do Iraque à Turquia ou país terceiro é proibido. Mas uma única frase do texto da decisão do gabinete de ministros turco permitiu ultrapassar a proibição:

"Nos casos em que os interesses do país o exigem, é permitido realizar o trânsito automóvel ou ferroviário de uma mercadoria mencionada no documento".

Além da Powertrans, existe também outra empresa – a Oiltrans, criada nas mesmas ilhas em dezembro de 2009. Uma dos parceiros desta empresa é a família Nazir, muito próxima do líder do Curdistão iraquiano Massoud Barzani.  

Segundo dados da estatística, as duas empresas lucraram cerca de 700 milhões de dólares em agosto de 2013.

Tendo em conta que a autonomia curda no norte do Iraque não é um Estado independente, o acordo com a liderança em Arbil não tem o status de um acordo internacional, e, por isso, é considerado um contrato, que deve ser regulado pelas leis do Direito Civil. Desta forma, o acordo sobre a produção e venda de petróleo não necessita de ratificação pelo parlamento turco. Como se vê, tudo o que é genial é simples…

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