Argentina não abandonará projetos estratégicos com a Rússia, dizem especialistas

© REUTERS / Ivan AlvaradoMauricio Macri, presidential candidate of the Cambiemos (Let's Change) coalition, gestures to his supporters after the presidential election in Buenos Aires, Argentina, November 22, 2015
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As novas autoridades argentinas assumirão uma atitude pragmática em relação à política exterior e não abandonarão projetos conjuntos lucrativos com a Rússia, diz Alberto Hutschenreuter, professor de geopolítica na Escola Superior de Guerra Aérea (ESGA).

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O empresário Mauricio Macri, fundador do partido conservador Proposta Republicana (PRO), foi eleito no domingo (22) sucessor da presidente argentina Cristina Kirchner. Ele toma posse no dia 10 de dezembro, depois de doze anos de governos kirchneristas. 

Segundo opinião de especialistas, a postura do novo presidente é muito mais pró-americana, o que provocou rumores de que a parceria russo-argentina, que inclui numerosos projetos científicos e tecnológicos conjuntos, pode ser congelada. 

Entretanto, Hutschenreuter não concorda com estes rumores:

“Muitas pessoas acreditam que a nova administração argentina irá pôr fim a estes projetos, mas eu não acho assim”, disse o especialista à RIA Novosti. 

“Eu acredito que o novo governo será pragmático quando se tratar de relações exteriores. Ou seja, irá examinar o mundo através do prisma das suas possibilidades e ganhos potenciais para os seus interesses nacionais”, acrescentou. 

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A Argentina e a Rússia têm relações calorosas – os dois países mantêm regime sem vistos e a Rússia é um dos parceiros-chave da Argentina. Quando os EUA e a União Europeia convidaram a Argentina para participar das sanções contra a Rússia, a Argentina recusou esta proposta, ganhando respeito por parte do presidente russo Vladimir Putin. Ele aprovou, junto com a presidente cessante argentina Cristina Kirchner que visitou o Kremlin mais cedo neste ano, uma “parceria estratégica” que, entre outros projetos, incluiu acordos na área de petróleo, gás e energia nuclear.   

Emil Dabagyan, especialista do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da Rússia, concorda em geral com o analista argentino:

“A posição de Mauricio Macri consiste em que não haverá tal parceria estratégica estreita com a Rússia tal como havia nos tempos de Cristina Kirchner. Mas todos os documentos que tinham sido assinados serão realizados, especialmente os que são mutualmente vantajosos e trarão determinadas vantagens para a Argentina. Não haverá virada cardinal nas relações russo-argentinas, mas algumas coisas ficarão ‘para trás’ porque Macri pretende estabelecer relações próximas com os EUA. Sem dúvida, a parceria estratégica da Argentina com A Rússia começará a reduzir-se e será suspensa”, disse Dabagyan à Sputnik. 

German Saltrón Negretti, representante do Estado perante o Sistema Interamericano e Internacional de Direitos Humanos, advogado venezuelano, tem uma opinião diferente sobre a vitória de Macri:

“Quando começar a desenvolver as suas políticas neoliberais impostas pelo Fundo Monetário Internacional, o povo argentino lhe retirará o pouco apoio alcançado. Mauricio Macri vai tentar sabotar o Mercosul e a CELAC junto com a Colômbia, o Peru e o Chile, mas permanecem em minoria. A vitória da direita na Argentina é um revés para os povos da América Latina e do Caribe, mas o futuro de Macri e da Argentina não é muito promissor”.

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Para o especialista venezuelano, o governo argentino irá enfrentar problemas:

“Daqui a pouco tempo o governo vai estar em sérias dificuldades quando tentar colocar em prática as políticas neoliberais que falharam no seu país recentemente, durante a década de 90, de 2001 a 2003, que levaram o país à moratória. Os povos do mundo têm dois inimigos: as políticas imperialistas dos Estados Unidos e da OTAN e aos meios de comunicação internacionais, que conseguem confundir as pessoas, ao apresentar uma realidade econômica fictícia”. 

Porém, segundo ele, o futuro da América Latina em geral é risonho:

“Mas a verdade sempre prevalece no final. Na América Latina estamos confiantes em continuar a desenvolver políticas econômicas progressistas em favor de nossos povos, iniciadas pelo presidente Lula da Silva no Brasil, o presidente Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, o presidente Correa no Equador e o presidente Mujica no Uruguai, todos inspirados pela Revolução Cubana do nosso comandante Fidel Castro Ruz. Continuamos lutando incansavelmente pela paz no mundo, com justiça social. Saudações fraternas a partir da República Bolivariana da Venezuela”.

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