Maduro pede união sul-americana contra ‘avanço do imperialismo dos EUA’

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Em seu programa “Em Contato com Maduro”, o presidente venezuelano conclamou os países da Unasul – União das Nações Sul-Americanas a se unir à Venezuela na luta contra o que chamou de “avanço do imperialismo dos Estados Unidos”.

O Presidente Nicolás Maduro disse ainda que “os Estados Unidos precisam ser denunciados perante o mundo devido à sua política imperialista, que destrói povos inteiros e gera ódio pelo mundo”.

Maduro também ressaltou que os Estados Unidos não aceitam os avanços sociais que a Venezuela vem experimentando desde os períodos de Hugo Chávez na Presidência do país, e pediu às nações sul-americanas que apoiem as reivindicações venezuelanas.

O especialista em política latino-americana Roberto Santana, da UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, considera acertada a posição de Nicolás Maduro, “uma vez que os Estados Unidos têm realizado ações claramente intervencionistas na Venezuela”.

“A Venezuela é hoje um dos países que mais sofrem com o intervencionismo dos EUA, devido ao seu processo revolucionário em curso, que aponta para o socialismo, para a necessidade de uma política internacional antiimperialista e para uma cooperação sul-sul, dos chamados países emergentes, da América Latina, da África e da Ásia. Isso vai contra os interesses norte-americanos, que são interesses imperialistas, interesses de dominação total e que tanto mal já fizeram ao mundo, principalmente à América Latina. Hoje a Venezuela é um dos países que mais sofrem com a intervenção dos EUA, justamente por ser vanguarda contra os interesses norte-americanos”.

O Professor Roberto Santana afirma ainda que esse intervencionismo norte-americano se caracteriza na Venezuela “pelo fato de que são os EUA que auxiliam uma oposição de direita que existe na Venezuela e que é uma oposição que não sabe jogar o jogo democrático”.

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela - Sputnik Brasil
Opinião: Venezuela tem que defender sua soberania contra as ações dos EUA

“Os oposicionistas não respeitam eleições, não respeitam leis, só respeitam os resultados quando eles saem vitoriosos, e o problema é que as vitórias deles nos últimos anos têm sido muito poucas”, afirma Santana. “Mesmo no campo eleitoral, o campo da esquerda, o chavismo tem vencido todas as últimas eleições, e estamos às portas de uma eleição importantíssima, que é a eleição da Assembleia Nacional Venezuelana, que vai ocorrer no dia 6 de dezembro. Já está acontecendo a campanha eleitoral, e mais uma vez a direita se organiza e age de maneira violenta. Podemos recordar no último ano aquela série de protestos que, na verdade, foi uma série de atentados com explosão de hospital e mais de 40 mortos no que os venezuelanos chamam de guarimbas, que em português seriam barricadas, e que levou à prisão quando se constatou que as pessoas responsáveis por aquilo eram opositores ao Governo Maduro – no caso, Leopoldo López e Antonio Ledezma, que eram líderes da oposição e foram presos por serem responsabilizados pela Justiça pelos protestos violentos que resultaram em mais de 40 mortos.”

Outro especialista em políticas latino-americanas, o Professor João Cláudio Pitillo, pesquisador do Núcleo das Américas da UERJ, comenta que “o Presidente Maduro já vem há muito tempo denunciando a ingerência norte-americana no processo político venezuelano”.

“Nós sabemos que os governos estadunidenses têm um histórico de agressão, de violação da soberania dos países sul-americanos, e os EUA usam seu poder econômico, e muitas vezes seu poder militar, para manter a América Latina sob seu domínio econômico e político”, diz o Professor Pitillo.

“O processo venezuelano, o atual processo boliviano e o equatoriano vêm na contramão disso”, acrescenta o pesquisador do Núcleo das Américas. “A Venezuela é líder dessa chamada Revolução Bolivariana. Quando a Venezuela e o Presidente Maduro apontam para um novo paradigma, eles obviamente sofrem uma série de ações de sabotagens, de chantagens, de pressões dos EUA. O poder hegemônico, o poder hemisférico, está nas mãos dos EUA, e a Venezuela é um país pequeno, pobre, um país petroleiro, com sérios problemas, é um país que tenta romper esse processo de dependência e que hoje está acossado, volta e meia sofre algum tipo de violação ou agressão em suas fronteiras. Ora se usa a Colômbia, ora a Guiana”.

João Cláudio Pitillo lembra que há pouco tempo o Presidente Barack Obama disse que a Venezuela é uma ameaça à segurança dos EUA.

“Ao Presidente Nicolás Maduro não resta alternativa senão denunciar isso e conclamar que seus irmãos latino-americanos observem este processo e prestem atenção para o fato de que não será diferente se eles tentarem um caminho autônomo”, alerta Pitillo. “Isso nós vimos nas décadas de 50, 60 e 70 na América Latina: o festival de golpes de Estado, muitos deles de punho fascista, apoiados e financiados pelo EUA”.

O Presidente Maduro, na opinião do professor da UERJ, faz esse chamado num momento muito sintomático, próximo das eleições parlamentares venezuelanas, em 6 de dezembro.

“É um momento importante. O PSUV – Partido Socialista Unido de Venezuela, de Maduro, precisa continuar tendo maioria no Parlamento para que as propostas da Revolução Bolivariana continuem transitando. E ele teme qualquer tipo de ingerência, de sabotagem, o que não é novidade. Em 2002 nós vimos um golpe de Estado com farto apoio estadunidense – inclusive os golpistas lá estão morando e vivendo. O Presidente Maduro chama a atenção do hemisfério, dos seus irmãos, dos outros líderes latino-americanos para que cerrem fileira com a Venezuela ao denunciarem o imperialismo estadunidense, que é tão maléfico. Nós temos aqui no continente países paupérrimos, países com sérios problemas de desenvolvimento, com problemas terríveis de saúde, de educação, de saneamento básico, com índice IDH muito baixo, e isso, obviamente, está ligado ao imperialismo estadunidense e ao processo de dependência econômica que estes países sofrem”. 

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