Ex-agente secreto alemão admite ter trabalhado para a CIA por ‘tédio’

© REUTERS / Christof StacheMarkus Reichel, ex-agente do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND), 16 de novembro de 2015
Markus Reichel, ex-agente do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND), 16 de novembro de 2015 - Sputnik Brasil
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Um ex-agente do serviço secreto alemão acusado de traição admitiu ter espionado para a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) durante seu julgamento em um tribunal de Munique.

Markus Reichel, ex-agente do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND), disse ao juiz que trabalhara para a CIA porque estava insatisfeito com seu trabalho.

"Ninguém confiava em mim com qualquer coisa no Serviço de Inteligência Federal (BND). Na CIA era diferente", contou o réu.

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Reichel, 32 anos, é acusado de ter enviado "dezenas de documentos e informações internas" do BND para a CIA. O caso teria acontecido após o vazamento das informações secretas a respeito dos programas globais de espionagem civil do governo norte-americano – proeza do ex-agente Edward Snowden, que atualmente vive asilado na Rússia.

Além de admitir a espionagem para a CIA, aliás, Reichel também é acusado de fornecer três documentos ao serviço secreto russo.

A liberação dos documentos por parte de Snowden mergulhou os serviços de inteligência norte-americanos em uma crise severa de legitimidade e provocou uma repreensão da chanceler alemã, Angela Merkel, depois da revelação de que a Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA) havia grampeado o escritório da chanceler em Berlim.

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No entanto, uma investigação parlamentar subsequente sobre os programas de vigilância dos EUA também revelou que o BND da Alemanha se envolvera em atividades de espionagem sobre outros aliados europeus em nome de agências norte-americanas, o que provocou suspeitas de que os funcionários do governo alemão sabiam de tais práticas e tentaram abafá-las da imprensa.

Reichel, que sofre de uma deficiência parcial, se juntou ao BND no final de 2007, quando conseguiu um emprego na sala de correios da organização.

Ao longo de vários anos, ele recebeu US$ 100 mil de funcionários da CIA – geralmente em parcelas entregues em dinheiro vivo em um ponto de encontro secreto na Áustria – em troca de informações e documentos secretos de seus empregadores. 

Até sua prisão, em 2 de julho do ano passado, ele ainda trabalhava para o BND. Se for condenado, pode pegar até 15 anos de prisão.

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