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Justiça bloqueia conta da mineradora Samarco para atender vítimas

© Antonio Cruz / Agência BrasilBombeiros continuam buscas por desaparecidos em Bento Rodrigues
Bombeiros continuam buscas por desaparecidos em Bento Rodrigues - Sputnik Brasil
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O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou nesta sexta-feira que a Comarca de Mariana determinou o bloqueio de R$ 300 milhões na conta da Samarco Mineração, cujos donos são as empresas Vale e a anglo-australiana BHP, para que a quantia seja usada exclusivamente na reparação de danos causados às vítimas na cidade.

Enquanto isso, surgiu a preocupação da possibilidade do rompimento de mais uma barragem em Mariana. O coordenador das operações do Corpo de Bombeiros na cidade, major Rubem Cruz, informou hoje que identificou há três dias, com a ajuda de um drone, uma trinca de cerca de 3 metros na barragem Germano, a terceira da mineradora Samarco em Mariana.

A barragem é a única que não se rompeu no acidente do dia 5 de novembro. A empresa Samarco, no entanto, nega a existência da trinca, e afirma que está fazendo obras nas estruturas remanescentes das áreas de barragem para dar mais estabilidade e prevenir futuros problemas.

O rompimento das barragens de Fundão e Santarém despejou 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério e água no vale, onde ficavam vários distritos, como Bento Rodrigues, que foi completamente destruído. A lama despejada no acidente alcançou o Rio Doce, atingindo dezenas de cidades no Leste de Minas Gerais e Espírito Santo. 19 pessoas ainda estão desaparecidas, e 9 corpos foram encontrados.

Hoje é o último dia para a mineradora responder se vai atender as cinco recomendações de assistência às vítimas pedidas pelo Ministério Público. Uma delas é providenciar o aluguel de casas para os desabrigados.

Segundo o Coordenador de Desenvolvimento Sócio Institucional da Samarco, Stanislau Klein, a empresa ainda está conversando com as famílias para verificar as principais necessidades de cada uma delas e promete concluir essa triagem até a próxima quarta-feira (18).

“Nesse momento, a Samarco quer oferecer para as pessoas que elas possam ir para casas alugadas temporariamente, de modo que elas possam ter melhor condição de decidir o futuro que será construído junto com eles nas próximas semanas”.

Já sobre a remuneração mensal para as famílias atingidas e a indenização pelos prejuízos, a mineradora ainda não informou quando vai começar a tratar do assunto.

Nesta quinta-feira (12), ativistas e integrantes do Movimento Atingidos Por Barragens fizeram uma manifestação em Mariana. O movimento alega que a grande preocupação é saber qual será o plano a longo prazo para dizer como vão ficar as famílias atingidas na tragédia.

Na próxima terça-feira (17), senadores da Subcomissão Permanente de Acompanhamento do Setor de Mineração pretendem visitar a área do acidente para avaliar os estragos e propor soluções para aliviar as perdas das famílias afetadas pelo desastre ambiental, um dos piores já ocorridos no Brasil. Senadores da Comissão de Serviços de Infraestrutura também vão realizar audiência para debater as consequências e medidas para minimizar os prejuízos ambientais e de abastecimento de água.

De acordo com o presidente da Subcomissão de Mineração, senador Wilder Morais (PP-GO), que estará na visita a Mariana na semana que vem, é preciso analisar o acidente para "tirar disso uma lição e, cada vez mais, dar mais segurança à população, e também fiscalizar as mineradoras”.

A Presidenta Dilma Rousseff anunciou na última quinta-feira(13), após visita às áreas atingidas em Minas Gerais e no Espírito Santo, que o governo vai rever a política de mineração no Brasil.

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