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Vacina contra a dengue deverá estar disponível no primeiro semestre de 2016

ENTREVISTA SHEILA HOMSANI 2 DE 13 10 15
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O Brasil está cada vez mais perto de ter uma vacina contra a dengue. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), instância colegiada multidisciplinar ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, aprovou a liberação comercial da vacina contra a dengue produzida por um laboratório francês.

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Segundo a CTNBio, a aprovação aconteceu num prazo emergencial de três meses devido ainda ao alto índice de mortes que a dengue tem causado no Brasil, especialmente no Estado de São Paulo, onde se chegou a ter uma morte por dia em decorrência da doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, de janeiro até agosto foram registradas quase 700 mortes por dengue e notificados 1,4 milhão casos da doença, o que representa 70% a mais do que o mesmo período de 2014.

A diretora médica do Laboratório Sanofi Pasteur, Dra. Sheila Homsani, explicou em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil que o procedimento da CTNBio é algo padrão, como parte de um protocolo em que se verifica a segurança da vacina.

“Isso faz parte de uma rotina normal, toda a documentação, todas as informações referentes à segurança dessa vacina para a CTNBio, que é o órgão que avalia a segurança desse material biológico”, diz a Dra. Homsani. “Uma parte dessa vacina é do vírus da vacina da febre-amarela, e um pedacinho de cada um dos quatro vírus da dengue, o vírus 1, 2, 3 e 4. A CTNBio, que avalia a segurança dessa vacina, que chamamos de recombinante, porque ela combina duas vacinas, tem o objetivo de mostrar que essa recombinação não faz mal para o meio ambiente, para as pessoas. Esse passo foi muito importante, porque afirma que essa é uma vacina segura do ponto de vista biológico.”

Depois da qualificação da CTNBio, Sheila Homsani diz que é preciso agora obter a aprovação da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para que o Brasil tenha a vacina contra a dengue.

“Desde 31 de março, a Anvisa está avaliando toda a documentação dessa vacina, que conta toda a história dela, desde que ela nasceu, onde vai ser produzida, tudo. E a gente espera ter essa resposta até o final do ano, início do ano que vem. Com a aprovação da Anvisa, aí, sim, a gente pode trazer a vacina para o Brasil.”

“A vacina é para proteger contra a dengue, mas quem já teve dengue uma vez na vida pode tomar, e deve tomar, porque essa vacina mostrou que para quem já teve pelo menos um caso de dengue a resposta ainda é muito melhor.”

Sobre os custos para a população para se imunizar contra a dengue, a médica disse que ainda não há um valor estipulado, pois ainda vai ser definido pela Câmara de Medicamentos após a aprovação da Anvisa.

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“A gente só vai ter essa comercialização da vacina, a venda no mercado privado, também somente após a aprovação da Anvisa. Depois que a Anvisa aprova, a Câmara de Medicamentos é quem vai definir o preço, e, saindo o preço, estará disponível nas clínicas de vacinação. A nossa expectativa é de que no primeiro semestre de 2016 a vacina já esteja disponível para a população.”

O Instituto Butantan, em São Paulo, também está produzindo uma vacina para combater a dengue. Atualmente, o Butantan aguarda resultados da segunda etapa de testes, quando as pessoas são vacinadas para testar a eficácia do produto. O Instituto solicitou à Anvisa autorização para entrar na fase 3 de testes, que amplia a abrangência da pesquisa. A previsão é de que a vacina seja aplicada em cerca de 20 mil indivíduos das 27 unidades da Federação. O imunizante brasileiro também prevê eficácia contra os 4 tipos de dengue e usa a estrutura do próprio vírus da doença.

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