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Há um mal-estar objetivo na Catalunha

© AFP 2021 / Jose JordanCatalães em volta da bandeira independentista da Catalunha
Catalães em volta da bandeira independentista da Catalunha - Sputnik Brasil
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"Há um mal-estar objetivo que tem causas reais" e esse mal-estar serviu para consolidar o discurso independentista na Catalunha, disse à Sputnik Joan Botella, vice-presidente da plataforma Federalistas de Esquerda.

Esta organização, formada por intelectuais catalães que se opõem à secessão, apela a uma reforma da Constituição espanhola, que permita desenvolver um sistema federal com base nos princípios de cooperação, lealdade institucional e solidariedade entre os povos da Espanha, contra a aposta independentista.

Para Joan Botella, ex-decano de Ciências Políticas na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), o processo de independência começou há dez anos devido à "desconfiança gerada" pela resposta dos políticos espanhóis, especialmente do Partido Popular, à reforma do Estatuto de Autonomia catalão, o que levou ao primeiro grande protesto nacionalista nas ruas de Barcelona.

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O PP, já então presidido por Mariano Rajoy, começou a "recolha de assinaturas em toda a Espanha contra esse estatuto", quando ao mesmo tempo", introduzia nas regiões autônomas que governava as mesmas medidas contra as quais apresentou recurso" no Tribunal Constitucional espanhol.

Portanto, a primeira causa deve ser procurada no "tratamento puramente instrumental desses problemas".

A segunda razão está nos "acordos sobre a língua e as referências culturais" da Catalunha, que mantém a sua própria língua, "que têm sido sistematicamente alvo de cortes nos últimos anos".

"Socialmente na Catalunha não há um conflito linguístico", mas o Ministério da Educação espanhol tem "nos últimos três ou quatro anos feito atiçar o conflito."

Por exemplo, "a escolaridade separada das crianças, quando isso nunca tinha sido um problema na Catalunha", lamenta o professor de Ciências Políticas e Administração Pública, na véspera das eleições regionais de 27 de Setembro, que os catalães independentistas consideram como um plebiscito.

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Para Botella, que foi membro do Conselho Audiovisual da Catalunha por seis anos, o terceiro problema que levou a fortalecer o discurso da independência é a questão da "despesa pública na Catalunha, o que é inferior à do resto da Espanha."

Por exemplo, na educação "uma criança catalã recebe um montante ‘per capita’ dois terços inferior à despesa feita na Extremadura", explica o especialista à Sputnik.

"O gasto ‘per capita’ em saúde na Catalunha é metade do que é na Andaluzia" e acrescenta que se faz passar a ideia de que "na Catalunha estamos fantasticamente bem, que somos uns privilegiados, que gastamos mais dinheiro público."

Quando "objetivamente a situação é a inversa", insiste Joan Botella.

"Portanto, não há razões institucionais, sociológicas e econômicas que expliquem que muitos catalães tenham chegado à conclusão de que não há nada a fazer, que você não pode esperar nada do Governo da Espanha" e que a única alternativa é "sair à rua".

Para os federalistas de esquerda "as duas posições são insensatas", referindo-se às posições opostas que Madri e Barcelona mantêm.

"A solução é o federalismo", que "tem um apoio maioritário claro e amplo, que tem legitimidade constitucional e que nos fará evitar o conflito que estamos vivendo, conforme mostram as pesquisas" defende Joan Botella.

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Botella defende um referendo "se a pergunta for do tipo da da Escócia e for precedido de um acordo constitucional claro entre a Catalunha e a Espanha e de uma discussão em igualdade de condições". Só então o referendo não seria "um mau caminho."

"Eu não acredito no direito de decidir, porque não vi reconhecido esse direito em nenhum instrumento, mas há um grande apoio dos cidadãos a que a questão seja submetida a referendo e é difícil apoiar uma posição contrária", conclui o professor.

Oitenta por cento dos catalães são a favor da realização de um referendo sobre a separação da Espanha.

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